O ativista ambiental Paul Watson, fundador da Sea Shepherd, afirmou durante a palestra de encerramento da Conferência Nacional de Unidades de Conservação para Biodiversidade (UCBIO), em Curitiba, que 'o oceano é o planeta'. Em sua fala, Watson destacou o ciclo contínuo da água como elemento que conecta todos os seres vivos. 'O planeta é água em circulação contínua. Às vezes está no mar, às vezes no gelo, às vezes nas nuvens e às vezes no subsolo, e às vezes nas células de cada planta e animal vivo. É a água se movendo por todos esses diferentes meios. E é isso que conecta todos os seres vivos deste planeta', disse.

Biocentrismo como novo paradigma

Watson defendeu o conceito de biocentrismo, perspectiva ética e filosófica que coloca todos os seres vivos no centro do universo, de forma conectada, reconhecendo seu valor intrínseco. Para ele, é necessário superar a visão utilitarista da natureza. 'Estamos matando o planeta por causa do Antropocentrismo e matando a nós mesmos. É ecologicamente insano', afirmou.

Fiscalização indispensável

O ativista reforçou a importância da fiscalização efetiva para que as áreas protegidas em todo o mundo não existam apenas no papel. 'Temos as regras, os regulamentos e as leis, mas sem fiscalização isso é praticamente sem sentido', declarou. Ele citou o Tratado do Alto-Mar, ratificado por mais de 80 países, que entrou em vigor em janeiro com o objetivo de proteger a biodiversidade em águas internacionais. 'Mas o que isso significa? Neste momento, é um pedaço de papel. Não significa nada sem fiscalização', ressaltou em conversa com ((o))eco.

Carta de Curitiba e desafios das UCs

A UCBIO, realizada entre os dias 7 e 9 de junho, reuniu mais de 700 participantes, entre especialistas, técnicos, pesquisadores, estudantes universitários e ambientalistas. No encerramento, foi aprovada a Carta de Curitiba, documento que destaca o compromisso dos presentes: 'já que a biodiversidade não fala, nós falamos por ela'. A carta reforça o protagonismo do Brasil como detentor da maior biodiversidade do planeta e líder na implementação dos compromissos da Convenção sobre a Diversidade Biológica, mas alerta para a carência de pessoal e fiscalização, os enormes passivos de regularização fundiária e o abandono de muitas unidades de conservação (UCs).

'Destacando-se que o processo de ocupação do território brasileiro segue sendo efetuado de forma desordenada, sem se basear em levantamentos econômicos-ecológicos que permitam cotejar de maneira apropriada a proteção de ecossistemas críticos, assegurar a mitigação e a adaptação às mudanças do clima, e alavancar o crescimento econômico sustentável', afirma trecho da carta.

O documento também apela ao Poder Público para defender o patrimônio biológico do país e pede prioridade para as UCs de proteção integral, que são menos representativas em cobertura territorial, mas fundamentais para a conservação da biodiversidade. A Carta de Curitiba sugere ainda o potencial de utilizar fontes alternativas de recursos, como o Fundo Social do Pré-Sal, para realizar a regularização fundiária das UCs.