A Paraíba, estado conhecido pela carne de sol e pelo queijo coalho, está ingressando no mapa do enoturismo brasileiro de forma inusitada. Em Bananeiras, cidade serrana a cerca de duas horas de João Pessoa, a Casa Ferreira, empreendimento dos produtores de eventos Kadu Milano e Telma Ferreira, abrirá suas portas no Dia dos Namorados, mesmo sem ter produzido o primeiro vinho próprio. Os vinhedos de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Sauvignon Blanc e Malbec ainda estão em crescimento, e as primeiras colheitas são futuras.
Bananeiras vem se transformando desde a pandemia, quando passou a atrair moradores de João Pessoa, Recife e Natal em busca de segunda residência. Com temperaturas que chegam a 14°C no inverno e paisagem verde, a região ganhou condomínios de alto padrão, como o Alteza e o Fazenda Alteza, da mesma família da Casa Ferreira. O patriarca, Jackson Ferreira, juiz aposentado, inicialmente comprava terras para gado, mas os filhos direcionaram o negócio para o setor imobiliário. Nos condomínios, algumas residências ultrapassam 5 milhões de reais, transformando Bananeiras em uma “Campos do Jordão nordestina”.
O vinho entrou na história quase por acaso. A família plantou videiras como elemento paisagístico, mas estudos agronômicos indicaram potencial para vinhos finos. Diferentemente da maioria das vinícolas, que primeiro consolidam a produção e depois investem em turismo, a Casa Ferreira inverteu a ordem: o enoturismo será inaugurado antes da primeira safra. A atração principal é uma casa centenária preservada, com visitas ao vinhedo e à propriedade, além de almoço harmonizado, ao custo de 398 reais por pessoa. O vinho servido, por enquanto, vem da Vinhos Fabian, de Nova Pádua (RS).
A Paraíba não é pioneira no Nordeste: Pernambuco já tem iniciativas em Garanhuns, e o Vale do São Francisco expande sua influência. Pequenos produtores surgem em diversos pontos, experimentando variedades e técnicas. Para os idealizadores, o objetivo vai além da bebida: trata-se de criar destinos turísticos, combinando desenvolvimento imobiliário, gastronomia e identidade regional.
Com informações de Veja.