A Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo completa 30 edições neste domingo (7) com expectativa de levar dezenas de milhares de pessoas ao centro da capital paulista. Segundo os organizadores, a dificuldade para obter patrocínios e o orçamento mais enxuto geraram uma mobilização extra da comunidade LGBTQIA+, com artistas abrindo mão de cachês.
O desfile terá 14 trios elétricos — quatro a menos que em 2024 — e começará às 10h na avenida Paulista, seguindo pela rua da Consolação. Entre as atrações estão Pabllo Vittar, Gloria Groove, Thiago Pantaleão e Melody.
Queda de patrocínios
Os organizadores estimam uma redução de 60% no valor de patrocínios privados em relação ao ano passado. Matheus Emílio, 30, diretor e porta-voz da Parada, atribuiu a queda ao movimento "anti-woke", que se opõe a causas progressistas. "Há uma mudança nas políticas de diversidade, especialmente em multinacionais, que estão reduzindo aportes financeiros em causas específicas", afirmou.
Nos últimos cinco anos, deixaram de patrocinar o evento marcas como Burger King, Jean Paul Gaultier, Mercado Livre, Sephora, Smirnoff, Terra e Vivo. Nesta edição, patrocinam Amstel e L’Oréal, com trios próprios — os valores não foram divulgados.
Mobilização de artistas e corte de cachês
Segundo Emílio, a queda no orçamento levou artistas como Melody, Pepita e MC Sofia a abrirem mão de seus cachês. "Houve uma mobilização de artistas para que o evento continue grandioso e mantenha sua relevância histórica", disse.
Investimento público reduzido
A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) reduziu o investimento público no evento de R$ 6 milhões em 2024 para R$ 5,5 milhões em 2025. A Parada faz parte do calendário oficial da cidade desde 2016. Nunes afirmou que não comparecerá ao evento. Os recursos foram destinados a infraestrutura, contratação de artistas e atividades como a Feira LGBT+, que ocorre no Vale do Anhangabaú desde quinta-feira (4).
Segundo a organização, os custos anuais da Parada chegam a R$ 3,5 milhões, sem contar os repasses da prefeitura. Diferente de outros grandes eventos, como a Marcha para Jesus (R$ 3 milhões) e a Anime Friends (R$ 5 milhões), a Parada não contou com emendas parlamentares de vereadores.
Tema eleitoral e slogan
Como em anos eleitorais, o tema central será o voto da comunidade em candidatos que defendam causas LGBTQIA+. O slogan é "A rua convoca, a urna confirma". Emílio afirmou que o objetivo é incentivar o voto consciente, sem defender partidos específicos.
Desde a primeira Parada, em 1997, a comunidade conquistou avanços pelo Judiciário, como casamento igualitário e criminalização da LGBTfobia, mas esses direitos ainda precisam ser ratificados pelo Legislativo, segundo Emílio.
Programação dos trios
O primeiro carro, chamado "A Rua Convoca", terá Silvetty Montilla e Tchaka Drag Queen recebendo Pepita, Urias e Diego Martins. Gloria Groove e Thiago Pantaleão cantam no nono trio, do grupo L’Oréal. O penúltimo, da Amstel, conta com Pabllo Vittar e Urias. Melody encerra no carro "A Urna Confirma".
Mesmo com as dificuldades, Emílio afirmou que a comunidade não abandonará a maior marcha do país. "Muitas pessoas que não frequentavam há algum tempo disseram que querem retornar neste ano para defender a Parada", concluiu.
Com informações de Folha — Cotidiano.