A 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo ocorreu neste domingo na Avenida Paulista, reunindo milhares de participantes em um evento que mesclou manifestação política e defesa de direitos. Em ano eleitoral, a organização escolheu como tema central a participação da comunidade LGBT+ no processo democrático, com o slogan “A rua convoca, a urna confirma”.

De acordo com os organizadores, a proposta busca associar a ocupação dos espaços públicos ao voto nas eleições de 2026. Em comunicado, a entidade responsável afirmou que a mobilização social e a participação eleitoral fazem parte da atuação política da comunidade. O tema foi reforçado pelo uso intenso de camisetas amarelas da seleção brasileira, bandeiras e acessórios nas cores verde e amarela ao longo do desfile.

Muitos participantes relacionaram a escolha das cores nacionais ao contexto eleitoral, e não à proximidade da Copa do Mundo. A assistente social Silvia Maria de Lima, de 58 anos, declarou: “Hoje podemos por a bandeira do Brasil na nossa causa, símbolo que por muito tempo foi apropriado pela extrema-direita”. O psicólogo Ruggeri Tavares, de 34 anos, afirmou que é a primeira vez que vê as cores do Brasil tão presentes na Parada, destacando a importância do debate político em um mundo polarizado.

No trio elétrico de abertura, a deputada federal Sâmia Bomfim discursou contra propostas que tentam restringir a realização do evento na capital paulista e limitar a participação de crianças. Durante a fala, participantes vaiaram um projeto de lei em tramitação na Câmara Municipal que prevê restrições ao formato atual da Parada.

A Associação da Parada do Orgulho LGBT informou que a saída de patrocinadores provocou queda de 60% na receita entre 2025 e 2026. O número de marcas apoiadoras passou de 12 para três, e a quantidade de trios elétricos caiu de 19 para 14. Organizadores relacionam o cenário à diminuição de investimentos corporativos em diversidade e inclusão. Mesmo com a estrutura reduzida, a organização manteve o foco na mobilização política.

Para participantes vindos de diferentes estados, o slogan deste ano reforçou a relação entre participação popular e representação institucional. “A rua convoca, a urna confirma” foi apresentado como um chamado para que a defesa dos direitos da população LGBT+ esteja presente tanto nas manifestações públicas quanto nas decisões tomadas nas urnas em 2026.

Com informações de Diário do Centro do Mundo.