A 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo ocorre neste domingo (7) na Avenida Paulista. O evento, que se tornou referência internacional, chega à edição histórica entre a celebração de conquistas e novos desafios diante do avanço de pautas conservadoras no Brasil e no mundo.

Com o tema “30 anos da Parada SP: A rua convoca, a urna confirma”, a manifestação coloca a participação política no centro do debate. Cartazes ao longo do percurso relembram temas que marcaram a trajetória do evento, como casamento igualitário, criminalização da LGBTfobia e direitos da população trans.

Para Matheus Emílio, secretário-geral da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP), “boa parte, se não todos os direitos que hoje temos enquanto população LGBT+ passaram pela Avenida Paulista em algum momento”.

Origens e crescimento

A mobilização começou de forma modesta, inspirada pela Revolta de Stonewall (1969). Uma primeira tentativa ocorreu em 1996, na Praça Roosevelt, e a primeira edição da Parada foi em 1997, com cerca de 2 mil pessoas na Avenida Paulista sob o tema “Somos muitos, estamos em várias profissões”.

O crescimento foi rápido: em 2011, os organizadores estimaram 4 milhões de participantes. Em 2016, a Parada foi incluída no calendário municipal de São Paulo e ganhou repercussão internacional ao servir de cenário para a série Sense8, da Netflix.

Para o deputado estadual Guilherme Cortez (Psol), a Parada é “um ato político que carrega demandas de representação e direitos, também é um ato de afirmação e, portanto, um ato de festa”.

Conquistas históricas

Ao longo de três décadas, a Parada antecipou debates que resultaram em direitos. Em 2005, o tema “Parceria Civil Já” precedeu o reconhecimento da união estável e do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em 2006, “Homofobia é crime” antecedeu a decisão do STF que equiparou a LGBTfobia ao racismo. Em 2016, a defesa da identidade de gênero precedeu a possibilidade de retificação de nome e gênero em cartório.

Toni Reis, presidente da Aliança Nacional LGBT+, lembra que no início “não tínhamos absolutamente nada de direitos específicos”. Hoje, segundo ele, “o amor venceu. Podemos casar, adotar, pessoas trans podem retificar nomes, podemos doar sangue e foi criminalizada a LGBTfobia”. Reis destaca que o Brasil é o oitavo país do mundo em direitos conquistados para a população LGBT+.

Desafios atuais

Apesar dos avanços, projetos que restringem a presença de crianças em eventos LGBT+ ou limitam atividades em espaços públicos têm surgido. Toni Reis vê isso como “um backlash, uma reação daqueles que perderam”. Guilherme Cortez afirma que “a extrema direita escolheu a população LGBT+ como um de seus principais alvos”.

A organização relata queda de aproximadamente 60% nos patrocínios privados em 2025, reduzindo o número de trios elétricos de 18 para 14. A edição só foi possível graças a artistas que abriram mão de cachê, como Gloria Groove, Pabllo Vittar, Urias, entre outros.

Impacto econômico e participação política

O evento injeta cerca de R$ 500 milhões na economia da cidade e gera aproximadamente R$ 90 milhões em arrecadação de impostos. O tema deste ano reforça a importância do voto e da representação institucional. Cortez aponta que “o Congresso Nacional nunca aprovou uma lei para as pessoas LGBT” e que há apenas quatro pessoas LGBT no Congresso. Toni Reis defende ampliar a participação: “Precisamos ter 10, 15, 20, 30 pessoas LGBT+ no Congresso Nacional”.

Próximos passos

Os entrevistados apontam desafios como enfrentamento à violência, acesso à saúde, educação e mercado de trabalho. Cortez afirma: “A prioridade é manter a nossa comunidade viva. O primeiro direito é o direito à vida”. Toni Reis defende o diálogo com setores religiosos e da direita para reduzir a influência de grupos extremistas. Matheus Emílio conclui: “Seguiremos lutando enquanto for necessário”.

A concentração da Parada começa às 10h, em frente ao Masp. Por causa de obras, os trios percorrerão o lado ímpar da Avenida Paulista. A organização recomenda uso de transporte público e hidratação constante.

Com informações de Brasil de Fato.