A organização da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de São Paulo divulgou nota neste domingo (7.jun.2026) criticando iniciativas que buscam restringir a participação de jovens no evento e proibir sua realização em vias públicas. Segundo a organização, tais medidas representam um ataque à liberdade de expressão, ao direito de ocupação da cidade e à diversidade da sociedade brasileira.

Na manifestação, a organização afirmou que a Parada “enfrenta quem tenta derrubá-la desde a primeira edição” e classificou o movimento como parte de “uma onda conservadora que busca promover o retrocesso de direitos conquistados”. A nota foi divulgada no dia da 30ª edição do evento, realizada na avenida Paulista, com o tema “30 anos Parada SP: A rua convoca, a urna confirma”, que relaciona mobilização nas ruas, participação política e defesa de direitos da população LGBTQIA+.

O evento contou com discursos de figuras políticas de esquerda, como Guilherme Boulos (Psol-SP), ministro da Secretaria-Geral da Presidência, e as deputadas federais Erika Hilton (Psol-SP) e Sâmia Bomfim (Psol-SP).

Projeto na Câmara Municipal

A crítica da organização refere-se ao PL 50 de 2025, de autoria do vereador Rubinho Nunes (União Brasil), que foi aprovado em 1º turno pela Câmara Municipal de São Paulo em 20 de maio. O texto proíbe a participação de crianças e adolescentes em eventos públicos ou privados que “façam alusão ou fomentem práticas LGBTQIA+”, especialmente a Parada do Orgulho LGBTQIA+, mesmo com autorização dos responsáveis. A proposta também veda a ocupação e a interdição de vias públicas para a realização desses eventos.

Para se tornar lei, o projeto precisa ser aprovado em 2º turno pela Câmara e, em seguida, seguir para sanção ou veto do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Reação da Parada

Na nota, os organizadores afirmaram que a rua é “o espaço legítimo de manifestação” e que a educação para a diversidade deve incluir todas as gerações. A organização também disse que a Parada é um espaço de encontro entre “festa e cidadania” e que a imagem que prevalece neste domingo é a de “milhões de pessoas ocupando a cidade com cores, música, afeto e respeito”.

Advogados ouvidos pela Agência Brasil classificaram o projeto como inconstitucional. O advogado Ariel de Castro Alves, membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB, afirmou que a proposta viola direitos como igualdade, liberdade de expressão, reunião, cultura e exercício da cidadania.

Com informações de Poder360.