Um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) aponta uma disparidade significativa nos fluxos financeiros globais relacionados à natureza. De acordo com o estudo Estado das Finanças para a Natureza 2026, para cada dólar investido em ações positivas para o meio ambiente, US$ 30 são destinados a atividades que o degradam. No total, US$ 7,3 trilhões, equivalentes a 7% do Produto Interno Bruto (PIB) global, têm impacto negativo direto na natureza, provenientes dos setores público e privado.
Em contrapartida, as principais metas globais de financiamento somam aproximadamente US$ 5,5 trilhões por ano. Esse montante inclui US$ 1,3 trilhão para financiamento climático (em discussão na COP 30), US$ 200 bilhões para biodiversidade (definidos na COP 15) e US$ 4 trilhões para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (no âmbito do Compromisso de Sevilha). O valor total necessário ainda fica abaixo dos recursos que financiam a destruição do planeta.

No Brasil, dados do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) indicam que, em 2024, os incentivos à indústria de combustíveis fósseis somaram R$ 47,06 bilhões para petróleo, gás e carvão, enquanto as fontes renováveis receberam R$ 18,65 bilhões. A diferença reforça o paradoxo apontado pelo PNUMA.
O relatório também destaca que os gastos militares globais atingiram US$ 2,718 trilhões em 2024, o maior nível já registrado pelo Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), impulsionados pelos conflitos na Ucrânia e em Gaza.

Na Mata Atlântica, bioma mais devastado do Brasil, um estudo de 2025 da Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com o Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) revelou que, entre 1993 e 2022, 4,9 milhões de hectares entraram em processo de regeneração. Desse total, 78% (3,8 milhões de hectares) permanecem em recuperação persistente, enquanto 22% (1,1 milhão de hectares) foram novamente desmatados, caracterizando recuperação efêmera.
O aumento de eventos extremos no Brasil também é alarmante. Segundo levantamento da Brazilian Ocean Literacy Alliance, desde 1990 houve aumento de 460% no número de desastres relacionados às mudanças climáticas, como enchentes e secas severas.

Para o secretário-geral da ONU, António Guterres, as mudanças climáticas “estão levando nosso planeta à beira do abismo”. O relatório do PNUMA conclui que é necessário escalar o investimento na natureza e, sobretudo, realocar os fluxos financeiros que hoje financiam a destruição.
Com informações de ((o)) eco — leia a matéria original.