O Paquistão, que atua como mediador nas negociações entre Estados Unidos, Israel e Irã, anunciou na segunda-feira (15) que a cerimônia de assinatura do acordo de paz ocorrerá na cidade suíça de Genebra na próxima sexta-feira (19). O anúncio foi feito pelo ministro das Relações Exteriores paquistanês, Ishaq Dar, em publicação na rede social X (antigo Twitter).

Segundo Dar, o acordo representa um avanço significativo obtido por meio de engajamento diplomático contínuo e da determinação coletiva de nações amigas em optar pelo diálogo em vez do confronto. Ele afirmou que o tratado envia uma mensagem tranquilizadora à comunidade internacional e proporciona confiança e estabilidade aos mercados globais, especialmente para países em desenvolvimento, mais vulneráveis à instabilidade regional.

Países mediadores e agradecimentos

O chanceler paquistanês agradeceu à Arábia Saudita, ao Catar e à Turquia pelo apoio e esforços diplomáticos que contribuíram para o que chamou de marco importante. Ele declarou que aguarda com expectativa a cerimônia formal de assinatura em Genebra e que o desfecho positivo abrirá caminho para paz duradoura, estabilidade e prosperidade compartilhada na região e no mundo.

Detalhes do acordo

Mais de 15 semanas após o início da guerra no Oriente Médio, o presidente americano, Donald Trump, anunciou na noite de domingo (14) que o acordo com a República Islâmica do Irã estava concluído. Os detalhes do arranjo não foram divulgados integralmente, mas Trump confirmou que os Estados Unidos encerrarão o bloqueio naval aos portos iranianos e que o Estreito de Ormuz será reaberto a partir de sexta-feira (19). Segundo ele, a rota marítima ficará permanentemente livre de pedágio, após semanas de especulações sobre cobrança de taxas por Teerã.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã para Assuntos Jurídicos e Internacionais afirmou que o texto do memorando de entendimento foi finalizado e será assinado na Suíça. Ele também disse que a assinatura abrirá um período de negociação de 60 dias, condicionado ao cumprimento de três compromissos por Washington, incluindo a liberação de bilhões de dólares em fundos iranianos congelados em bancos no exterior. O governo americano rejeitou essa declaração.

Reação de Israel

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não se manifestou publicamente sobre o acordo. Uma fonte do governo de Israel informou à CNN que, nos bastidores, Netanyahu culpou os enviados de Trump — seu genro, Jared Kushner, e o magnata imobiliário Steve Witkoff — por criarem atritos entre ele e o presidente dos Estados Unidos.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou nesta segunda-feira que as forças israelenses não deixarão o sul do Líbano como parte do cessar-fogo e que essa posição foi transmitida a Trump. Políticos de todo o espectro político em Israel criticaram o acordo, incluindo o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, da ultradireita.

Impactos globais

Os preços do petróleo caíram para os menores níveis em mais de três meses após o anúncio do acordo entre EUA e Irã para reabrir o Estreito de Ormuz. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, celebrou o pacto e disse que ele deve permitir a reabertura imediata da via, por onde passam 20% do petróleo e gás consumidos no mundo. Líderes de países como China, Turquia, França, Japão e Reino Unido também comemoraram o acerto.