O Pantanal encerrou 2025 com a superfície de água 56% inferior à média histórica, segundo dados do estudo “Panorama da superfície de água no Brasil (1985-2025)”, divulgado nesta terça-feira (16) pela iniciativa MapBiomas. O levantamento aponta que Mato Grosso do Sul e Mato Grosso lideram as perdas de área alagada no país.
Mato Grosso do Sul registrou o maior déficit em relação à média histórica, com perda de 527 mil hectares de superfície de água. Mato Grosso aparece em seguida, com redução de 336 mil hectares. Juntos, os dois estados respondem por 21,2% do Valor Bruto da Produção agropecuária do Brasil (dados do Ministério da Agricultura de novembro de 2025) e por 39,9% da produção nacional de grãos na safra 2024/25, conforme a Conab.
Bacia do Paraguai e crise hídrica
A região hidrográfica do Paraguai apresentou a maior perda de água do país. Em 2025, a superfície hídrica da bacia ficou 53,8% abaixo da média histórica, o que equivale a cerca de 877 mil hectares a menos de água. O Pantanal foi o único bioma brasileiro que permaneceu abaixo da média em todos os meses do ano. Segundo o levantamento, a região não registrou cheia significativa em 2025, fenômeno considerado essencial para a manutenção da dinâmica ecológica da planície alagável.
Mariana Dias, pesquisadora da equipe do Pantanal do MapBiomas, afirmou: “A dinâmica das águas no Pantanal mudou; a década de 1980 foi marcada por grandes inundações, mas desde 2019 a região enfrenta secas prolongadas”.
Desmatamento e agropecuária
A crise hídrica ocorre em meio a transformações na cobertura vegetal. O Relatório Anual do Desmatamento (RAD) do MapBiomas indica que a agropecuária respondeu por 99,4% da área desmatada no Pantanal em 2025. Após 31 de dezembro de 2020, o bioma acumulou 152,5 mil hectares de vegetação nativa desmatada, sendo 35% em formações savânicas, 33% em campestres e 32% em florestais.
Embora o desmatamento tenha recuado em relação ao ano anterior, o Pantanal registrou 12.260 hectares de vegetação nativa convertidos em 2025. O bioma teve a maior redução proporcional do desmatamento entre todos os biomas brasileiros, com queda de 48,4% na comparação com 2024.
O estudo ainda destaca que 97,1% da área do Pantanal apresenta tendência de perda de superfície de água ao longo da série histórica iniciada em 1985, o maior percentual entre todos os biomas do país.