A seleção de futebol do Panamá, que reflete um nacionalismo adormecido na América Central, empatou em 1 a 1 com a Bósnia-Herzegovina em Saint Louis, Missouri, nos Estados Unidos, em partida preparatória para a Copa do Mundo de 2026. O resultado foi celebrado pelo técnico dinamarquês Thomas Christiansen, que vê a equipe pronta para competir em um grupo considerado fortíssimo, com Inglaterra, Croácia e Gana.

Contexto histórico e político

O futebol cresceu silenciosamente no Panamá, competindo com o beisebol e o boxe, em meio a um profundo sentimento de inferioridade histórica. A independência do país, que integrava a Colômbia, foi promovida com apoio dos Estados Unidos, interessados na construção do canal. Washington pretendia reduzir em 13 mil quilômetros a distância entre as costas Leste e Oeste dos EUA, entre Baltimore e Los Angeles. Hoje, 40% de todo o tráfego de contêineres dos EUA passa pelo canal.

Após concluir a construção do canal, projetada pela França, os EUA assumiram o controle da zona do Canal, uma faixa de 8 quilômetros de terra com capital em Balboa. Instalaram bases militares e a Escola das Américas (SOA), onde treinaram oficiais latino-americanos em contrainsurgência e tortura, de 1946 a 1984, durante a Guerra Fria.

A zona do Canal, criada em 1903, existiu oficialmente até 1979 e gerou o nacionalismo que levou ao poder o militar Omar Torrijos, que presidiu o país de 1968 a 1981. Em 31 de julho de 1981, o avião da Força Aérea Panamenha em que Torrijos viajava caiu; muitos panamenhos acreditam que ele foi alvo de um atentado. Torrijos havia negociado com o presidente Jimmy Carter o acordo para reassumir a soberania do Panamá em 31 de dezembro de 1999, mas não viveu para ver a conquista.

O herdeiro de Torrijos, general Manuel Noriega, governou entre 1983 e 1989, quando foi deposto por uma invasão militar dos EUA. A primeira medida do sucessor foi extinguir as Forças de Defesa do Panamá, origem dos nacionalistas.

Futebol como expressão nacional

O futebol tornou-se uma expressão popular de afirmação nacional. Em 10 de outubro de 2017, o Panamá classificou-se para a Copa da Rússia ao derrotar a Costa Rica por 2 a 1, gerando feriado nacional. Na Copa, foi eliminado com três derrotas, mas celebrou o gol marcado contra a Inglaterra (6 a 1).

Em 2025, a seleção repetiu a façanha com vitórias sobre a Guatemala (3 a 2, fora) e El Salvador (3 a 0, em casa). Apesar de um tropeço contra o Brasil em amistoso no Maracanã (3 a 2), venceu a República Dominicana por 4 a 2 e empatou com a Bósnia. Christiansen, promotor de jovens talentos, levou atletas não convocados oficialmente para acompanhar o grupo na Copa de 2026, incluindo Kadir, que joga no Botafogo do Rio de Janeiro.

Com informações de Revista Fórum.