O menino João Lucas Castor Nemezio Sales, 11, que teve a perna esquerda amputada após ser mordido por um tubarão na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes (PE), permanece em isolamento devido ao alto risco de infecção, conforme informou o pai, Lucas Nemezio.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Nemezio afirmou que o filho está sob cuidados médicos rigorosos após ser transferido do Hospital da Restauração para uma unidade particular no Recife. “Hoje ele se encontra em isolamento estrito e essa é uma medida médica vital, pois o risco de infecção ainda é alto. A imunidade dele está muito baixa. Cada visita, por mais cheia de carinho que seja, representa um risco que ele não pode correr agora”, declarou.

O ataque ocorreu na tarde de domingo (31), quando João Lucas estava na praia acompanhado de tios, primos e amigos. Ele sofreu lesões na coxa e na mão esquerdas e foi retirado do mar por familiares. Na areia, recebeu atendimento de guarda-vidas e de uma médica, que fez um torniquete para conter a hemorragia até a chegada do resgate. O menino foi levado inicialmente ao Hospital da Aeronáutica e, em seguida, transferido para o Hospital da Restauração.

Segundo o diretor da unidade, cirurgião Petrus de Andrade Lima, a criança chegou em choque hemorrágico grave com uma lesão extensa no membro inferior esquerdo, sem possibilidade de revascularização, o que levou à amputação da perna. O Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) identificou o animal como um tubarão-cabeça-chata adulto, com cerca de 2,5 metros de comprimento.

No vídeo, Lucas Nemezio disse que a recuperação do filho será longa e que a família iniciou uma campanha para arrecadar recursos destinados ao tratamento e à adaptação da criança. “Embora o plano de saúde cubra parte do hospitalar, os custos invisíveis de uma amputação são gigantescos”, afirmou. As despesas incluem adaptações estruturais, medicamentos, curativos especiais, transporte para consultas e fisioterapia, além de acompanhamento psicológico. “A saúde psicológica do João Lucas foi muito abalada e exige cuidado especializado”, acrescentou.

A família informou que João Lucas mora com a mãe e o irmão em um beco de um conjunto habitacional e precisará de adaptações para usar muletas ou cadeira de rodas durante a recuperação. Os recursos arrecadados serão aplicados em reformas de acessibilidade, transporte, fisioterapia especializada, medicamentos e outros custos de reabilitação. A família pretende buscar a prótese pelo SUS.

O pai também relatou que estava em Manaus, onde havia assumido recentemente um cargo na Polícia Rodoviária Federal (PRF), quando recebeu a notícia do incidente. “Eu ainda estava me fixando lá, sem casa própria, e agora estou tentando viabilizar minha transferência de volta”, afirmou. No vídeo, agradeceu às equipes que atenderam a criança, desde os primeiros socorros na praia até os profissionais dos hospitais da Aeronáutica e da Restauração. “No dia mais difícil das nossas vidas, nós testemunhamos um milagre”, disse.

O caso ocorreu menos de 24 horas antes de outro incidente com tubarão no litoral pernambucano. Na segunda-feira (1º), Marcela Vitória de Lima Santos, 19, sofreu uma mordida de tubarão na Praia de Boa Viagem, no Recife, e teve a perna direita amputada. Segundo o Cemit, o animal envolvido foi um tubarão-tigre de aproximadamente três metros de comprimento.

Com os dois episódios registrados em dias consecutivos, Pernambuco chegou a 84 incidentes envolvendo tubarões desde o início do monitoramento estadual, em 1992. Desse total, 70 ocorreram no Grande Recife e 14 em Fernando de Noronha. Boa Viagem soma 25 registros e Piedade, 24, concentrando juntas 49 ocorrências, mais da metade da série histórica. Em 2026, já foram contabilizados quatro incidentes, o maior número para um único ano desde 2006.

Com informações de Folha — Cotidiano.