O supercomputador “LineShine”, desenvolvido integralmente pela China, conquistou a primeira posição na lista TOP500 durante a conferência ISC 2026, realizada em Hamburgo, Alemanha, na terça-feira. Conforme anunciado pelo Centro Nacional de Supercomputação de Shenzhen, o sistema alcançou uma performance sustentada de 2 exaflops (10¹⁸ operações de ponto flutuante por segundo), marcando o retorno do país à liderança global após uma ausência de nove anos.

O resultado representa um desempenho superior ao de máquinas avançadas desenvolvidas nos Estados Unidos e Europa. Segundo dados da conferência, o LineShine superou em mais de 20 por cento os resultados do El Capitan, um sistema do Laboratório Nacional de Lawrence Livermore, na Califórnia, que ocupava a posição de destaque desde novembro de 2024.

O diferencial tecnológico do LineShine reside em sua arquitetura baseada exclusivamente em processadores, sem dependência de unidades aceleradoras tipo GPU. O sistema integra o processador LX2 de fabricação própria, que incorpora capacidades de aceleração de matriz e computação de múltiplas precisões. Adicionalmente, utiliza a primeira memória HBM desenvolvida domesticamente pelo país, proporcionando aumento de dez vezes na largura de banda de memória comparada a processadores convencionais.

Jack Dongarra, um dos organizadores da lista TOP500, descreveu o sistema como “um sistema impressionante”, conforme divulgado pelo The New York Times. Ele ressaltou que “vocês nos superaram ao desenvolver um sistema que não depende de GPUs”.

A China havia ocupado a primeira colocação no TOP500 em 2010 e alternado posições com Estados Unidos e Japão até 2023, quando deixou de submeter sistemas para ranking devido a controles de exportação impostos ao setor de chips e computação. Antes disso, o país havia registrado êxito com o supercomputador “Sunway TaihuLight”.

Desde sua implantação, o LineShine apoiou aplicações em ciências atmosféricas e oceânicas, simulação de engenharia, ciência de materiais, descoberta de fármacos, neurociência, inteligência artificial científica e inferência de modelos de linguagem.

Conforme dados oficiais divulgados, a China ocupava em meados de 2025 a segunda posição em poder computacional total a nível global, com 14 centros nacionais de supercomputação aprovados. Em janeiro, a Plataforma Nacional de Internet de Supercomputação anunciou que sua base de usuários ultrapassou 1 milhão de integrantes.

Com informações de Diário do Povo.