A Polícia Civil da Bahia, por meio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), deflagrou na manhã desta terça-feira (16) a Operação Gênesis, uma ação interestadual de combate à facção criminosa conhecida como Tropa do Cote ou Tropa do CF. Segundo a polícia, trata-se de uma das maiores operações contra o crime organizado dos últimos anos no estado.
Contexto e desdobramento
A operação é um desdobramento da Operação Saigon, realizada em setembro de 2023 contra o mesmo grupo. As investigações indicam que, mesmo após ações anteriores terem atingido integrantes de destaque, a facção passou por uma reestruturação interna. O principal líder continuou exercendo influência, enquanto um homem de confiança assumiu a coordenação operacional das atividades criminosas. A polícia também identificou uma rede de operadores e foragidos distribuídos por diferentes estados, responsáveis por manter o funcionamento da organização.
Alvos e locais da operação
Os alvos são lideranças, gerentes financeiros e executores da facção que mantinham conexões e estruturas de apoio em várias regiões do país, consolidando um sistema paralelo de controle em comunidades de Salvador. A organização é apontada como responsável por pelo menos 15 homicídios registrados entre 2025 e 2026, além de tráfico de drogas, domínio territorial armado e outros crimes violentos. Utilizava armamento de grosso calibre para intimidar moradores, dificultar a atuação das forças de segurança e promover ataques contra grupos rivais, envolvendo-se em assassinatos relacionados à disputa por territórios.
Mandados de prisão preventiva e busca e apreensão estão sendo cumpridos nos bairros de Águas Claras, Sussuarana e Nova Sussuarana, em Salvador, e nos municípios baianos de Lauro de Freitas e Retirolândia. A operação também alcança as cidades de Nova Iguaçu e Macaé, no Rio de Janeiro, e os municípios catarinenses de Camboriú e Itapema.
Efetivo e apoio institucional
A ação conta com mais de 300 policiais e o apoio de diversos departamentos da Polícia Civil da Bahia: DRACO, DEPOM, DIP, DEPIN, DEIC, DENARC e DPMCV, além da Coordenação de Polícia Interestadual (POLINTER) e da Coordenação de Operações e Recursos Especiais (CORE). Também há suporte da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP/BA), por meio da Superintendência de Inteligência (SI), e das Polícias Civis do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A operação incorpora elementos probatórios compartilhados na Justiça e novas provas produzidas ao longo de cerca de dois anos de investigações. Mais informações serão divulgadas após a consolidação dos resultados.