O senador Jaques Wagner (PT-BA) foi alvo, na manhã desta quinta-feira (18), da operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF). A ação investiga os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em endereços na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.

Decisão do STF aponta Wagner como beneficiário central

Na decisão que autorizou as medidas, o ministro André Mendonça, do STF, descreveu Jaques Wagner como “suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas, figurando como agente público em favor de quem teriam sido estruturados pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais”, conforme registrado pela PF.

Reações da oposição

Parlamentares de oposição utilizaram as redes sociais para comentar a operação. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, durante evento em São Paulo, que “o PT da Bahia foi implodido pela Polícia Federal”. Em publicação no X, ele escreveu: “Escândalo envolvendo o PT é como a incompetência do governo Lula: não tem como esconder. CPMI do Banco Master já! #PTMaster”.

O líder do Partido Liberal na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcanti (RJ), disse que o PT “enlameia os outros com a própria lama”. Em sua postagem, relacionou o Banco Master ao governo estadual de Jaques Wagner: “A casa caiu no quintal do PT. A Polícia Federal deflagrou hoje uma operação contra Jaques Wagner, o líder do governo Lula no Senado. E não é coincidência: o Banco Master nasceu do Credcesta, que veio do Cesta do Povo, o estatal privatizado pelo próprio Wagner na Bahia. O berço…”

O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) também se manifestou, alegando ter alertado anteriormente sobre o senador. “Eu já havia alertado e os petistas disseram que era mentira minha. A fraude do Master é do PT da Bahia. Líder do governo Lula recebeu apartamento e outros mimos para beneficiar o banco. Toma que o filho é teu, Lula!”, escreveu.

Defesa de aliados

Do lado governista, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, declarou que Jaques Wagner é “depositário” da confiança do partido. “Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança de que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”, afirmou em nota.

O senador Fabiano Contarato (PT-ES) manifestou solidariedade e destacou a amizade com o colega: “Sou neófito na política e, se ela me trouxe desafios e aprendizados, também me deu algo muito valioso: amizades verdadeiras. Entre elas, a de Jaques Wagner. Nestes quase oito anos de caminhada ao seu lado, aprendi a admirar não apenas o homem público, mas, sobretudo, o ser…”

Já o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-BA) defendeu o tratamento republicano dado pela PF sob o governo Lula. “Não houve tentativa de interferência, a investigação segue e os investigados terão o direito à ampla defesa assegurado pela Constituição”, afirmou.