A Polícia Federal (PF) deflagrou na quinta-feira (18) a nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga a relação entre operadores ligados ao Banco Master e o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. A operação, iniciada em novembro de 2025, apura suspeitas de fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de sistemas, vazamento de informações sigilosas e cooptação de agentes públicos.
Segundo a PF, Jaques Wagner teria recebido um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões do banqueiro Augusto Ferreira Lima, dono do Banco Pleno e ex-sócio de Daniel Vorcaro na Bahia. O senador teria escolhido pessoalmente a unidade no residencial Poème Horto, em Salvador. A investigação aponta ainda que Wagner recebeu mais de R$ 5,5 milhões repassados à BN Financeira, empresa administrada por parentes, usada para pagamentos ao núcleo familiar. Outras vantagens incluem uso gratuito de aeronaves e ingressos para shows no exterior. A PF apreendeu US$ 49 mil (cerca de R$ 250 mil) na residência do senador, que, segundo sua assessoria, são de diárias oficiais e recursos próprios declarados.

Primeira fase: suspeitas de fraude no Banco Master
Em novembro de 2025, a PF investigou a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master com rentabilidades acima do mercado. A suspeita era de falta de garantias compatíveis. Resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e de outros seis investigados, incluindo Augusto Ferreira Lima. O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor financeiro Dario Oswaldo Garcia foram afastados. O prejuízo potencial foi estimado em R$ 12 bilhões.
Segunda fase: bloqueio bilionário
Em janeiro de 2026, a PF mapeou patrimônios e fundos para ocultar valores. Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão contra familiares de Vorcaro, incluindo seu pai, irmã e cunhado. O cunhado Fabiano Zettel foi detido ao tentar embarcar para os Emirados Árabes, mas liberado. Empresários como Nelson Tanure e João Carlos Mansur também foram alvo. A Justiça bloqueou mais de R$ 5,7 bilhões em bens e ativos. Relógios de luxo, veículos, documentos e dinheiro em espécie foram apreendidos.
Terceira fase: espionagem eletrônica
Em março de 2026, a PF investigou um grupo de obtenção ilegal de informações e monitoramento de pessoas. Daniel Vorcaro foi preso novamente, junto com seu cunhado Fabiano Zettel e Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”. Mourão coordenava uma estrutura paralela para coletar dados sigilosos e pressionar testemunhas. Um núcleo chamado “A Turma” realizava vigilância e intimidação. Foram bloqueados cerca de R$ 22 bilhões em bens. Mourão morreu sob custódia, e a PF concluiu que foi suicídio.
Quarta fase: corrupção de políticos e Banco BRB
Em 16 de abril de 2026, a PF examinou aportes de R$ 16,7 bilhões do BRB ao Banco Master entre 2024 e 2025. Ao menos R$ 12,2 bilhões apresentaram inconsistências. O presidente afastado do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso preventivamente, assim como o advogado Daniel Monteiro, apontado como operador financeiro. Foram cumpridos sete mandados de busca.
Quinta fase: núcleo político
Em 7 de maio de 2026, a PF mirou o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Segundo os investigadores, ele teria recebido pagamentos mensais de R$ 300 mil a R$ 500 mil de Daniel Vorcaro. Um documento do Coaf mostrou que Ciro recebeu 265 depósitos em dinheiro vivo totalizando R$ 3,5 milhões. Foram presos Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro, e cumpridos dez mandados de busca.
Sexta fase: intimidação e invasão de sistemas
Em 14 de maio de 2026, a PF investigou acesso indevido a bancos de dados governamentais. Foram presos Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, e o policial federal Anderson Wander da Silva Lima. Ao todo, sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca. Informações sigilosas sobre viagens e passaportes eram acessadas irregularmente. A PF investigou corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, violação de sigilo e invasão de dispositivos.
Sétima fase: vazamentos na própria investigação
Em 19 de maio de 2026, a PF alvo um perito criminal federal suspeito de compartilhar informações sigilosas. O servidor foi afastado pelo STF, e a investigação apurou se o vazamento permitiu que investigados ocultassem provas.
Oitava fase: Cláudio Castro e Rioprevidência
Em 26 de maio de 2026, a PF investigou operações de cerca de R$ 3 bilhões de fundos estaduais do Rio de Janeiro, geridos pelo Rioprevidência. O governador Cláudio Castro foi alvo. Foram cumpridos dez mandados de busca no Rio e no Distrito Federal.
Nona fase: Jaques Wagner
A nona fase, iniciada em 18 de junho, investiga a relação de Jaques Wagner com Augusto Lima. A PF aponta que Wagner atuou em temas regulatórios de interesse do grupo Master, como a emenda nº 30 à MP 1.106/2022, que limitava cobrança de juros. Além do apartamento e dos repasses, a PF cita uso de aeronaves e ingressos. A assessoria de Wagner afirma que parte do dinheiro apreendido é de diárias oficiais e recursos próprios.