A OpenAI está desenvolvendo a maior reformulação do ChatGPT desde seu lançamento, que impulsionou o 'boom' da inteligência artificial. A empresa, avaliada em US$ 850 bilhões, busca novos motores de crescimento antes de sua listagem na bolsa, prevista para este ano.

De acordo com funcionários e ex-funcionários, a companhia pretende transformar o chatbot em um 'superapp' que combina ferramentas de programação (Codex) e agentes de IA, com o objetivo de gerar mais receita. As mudanças fazem parte de uma reorganização mais ampla para conquistar clientes corporativos e competir com a rival Anthropic.

A OpenAI enfrenta pressão para aumentar receitas e traçar um caminho rumo à lucratividade enquanto se prepara para uma oferta pública inicial de ações (IPO). A estratégia marca uma mudança de rumo para a empresa liderada pelo CEO Sam Altman, que popularizou a tecnologia com o lançamento do ChatGPT em 2022.

As alterações darão maior destaque ao Codex, produto de programação da OpenAI, refletindo a convicção de que o futuro da IA está em agentes que realizam tarefas, e não em chatbots que respondem perguntas. 'O chat morreu', disse um funcionário sênior.

Executivos veem o ChatGPT, com quase 1 bilhão de usuários, como porta de entrada para produtos de maior valor. A maioria dos consumidores usa o chatbot gratuitamente. A empresa acredita que agentes de IA — capazes de reservar viagens ou organizar calendários — serão mais valiosos que o chatbot.

A reformulação deve começar nas próximas semanas, com mudanças no site e nos aplicativos móveis do ChatGPT, incentivando o uso de ferramentas de programação, geração de imagens e aplicativos de parceiros como Canva e Booking.com.

Thibault Sottiaux, que lidera o produto principal e plataforma da OpenAI, afirmou ao Financial Times: 'Isso vai transcender a superfície atual... o que estamos construindo é um cenário onde você terá seu próprio agente pessoal capaz de ajudá-lo em tudo na sua vida, seja no âmbito pessoal ou no trabalho'. Ele acrescentou que o usuário poderá se conectar pelo celular, desktop ou web.

A maioria dos usuários do Codex paga pelo serviço, enquanto as 2 milhões de empresas que utilizam os produtos da OpenAI respondem por cerca de 40% da receita. A empresa prevê que essa fatia subirá para 50% até o final do ano.

O Codex aumentou sua base de usuários em seis vezes, alcançando mais de 5 milhões de usuários ativos semanais desde o lançamento de um aplicativo para desktop em fevereiro. O lançamento intensificou a competição com a Anthropic, cujo produto Claude Code cresceu rapidamente.

Jenny Xiao, parceira da Leonis Capital e ex-pesquisadora da OpenAI, disse: 'Há aproximadamente um ano, a estratégia da OpenAI era arriscar tudo por uma grande jogada, enquanto a estratégia da Anthropic era ganhar dinheiro primeiro. Agora as duas estão convergindo, porque ambas estão tentando visar um IPO e os investidores se importam mais com dinheiro do que com sonhos.'

A OpenAI está redesenhando a interface do ChatGPT, adicionando novos comandos e recursos que direcionam usuários para ferramentas de programação, geração de imagens e aplicações de parceiros. Com o tempo, a empresa pretende abandonar comandos e recursos visuais, apostando que seus modelos entenderão automaticamente as intenções dos usuários.

Este ano, a empresa reuniu as equipes do ChatGPT, Codex e outros produtos sob a liderança de Sottiaux, enquanto vários executivos seniores deixaram a companhia. Algumas iniciativas focadas no consumidor foram deixadas de lado, como um recurso de finalização de compra e o produto de geração de vídeos Sora.

Executivos acreditam que os usuários interagirão cada vez mais com um único assistente de IA, em vez de uma coleção de aplicativos separados. Alex Embiricos, chefe de produtos corporativos da OpenAI, afirmou: 'Quando tivermos a inteligência artificial geral, não acho que haverá um grande número de marcas distintas. Provavelmente haverá uma única entidade com a qual poderei conversar e que poderá fazer o que quer que eu precise.'

Com informações de Folha — Mercado.