Duas agências da ONU lançaram nesta quinta-feira (18) um apelo conjunto por recursos extras para mitigar os impactos do El Niño. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) estimam que são necessários US$ 167 milhões (R$ 845 milhões) adicionais para ampliar a assistência a 7,6 milhões de pessoas em 22 países de alto risco. Atualmente, as agências dispõem de verba para atender 1,2 milhão de beneficiários.
Previsões para o El Niño
O El Niño é um fenômeno natural que eleva as temperaturas das águas superficiais do centro e leste do Oceano Pacífico equatorial, podendo provocar secas, inundações e recordes de calor em todo o mundo. Segundo a agência americana NOAA, o evento deve se desenvolver em nível moderado ou forte durante o outono no hemisfério norte (setembro a dezembro; primavera no sul). A probabilidade de um El Niño muito forte entre novembro e janeiro é de 63%, com potencial para figurar entre os mais intensos desde o início dos registros em 1950.
Um El Niño classificado como muito forte corresponde a um aquecimento igual ou superior a 2°C acima da média histórica das águas superficiais do Pacífico equatorial. A NOAA ressalta, porém, que nem todo El Niño muito forte resulta em eventos climáticos extremos de grande magnitude, embora aumente as chances de ocorrência.
Regiões sob alerta
Em comunicado conjunto, a FAO e o PMA destacam possíveis consequências em áreas da África, Ásia, Pacífico, América Latina e Caribe. A diretora-geral adjunta da FAO, Beth Bechdol, afirmou:
“A experiência demonstra sistematicamente que agir de forma antecipada é mais eficaz e menos custoso do que intervir quando a crise já se agravou.”
Intervenções previstas
As medidas planejadas incluem ajuda em dinheiro, distribuição de sementes resistentes à seca e a inundações, proteção do gado e implantação de sistemas de alerta precoce. A FAO e o PMA defendem que o investimento preventivo reduz custos humanitários futuros.