O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou neste domingo (7 de junho de 2026), pela primeira vez, um plano emergencial criado para reduzir a geração de energia no país em períodos de baixa demanda. A medida foi comunicada no sábado (6 de junho) aos agentes do sistema nacional, com o objetivo de evitar desequilíbrios na rede elétrica, após a identificação de sobra de energia.
O ONS solicitou a redução dos recursos de geração centralizada sob sua responsabilidade, que inclui grandes usinas como hidrelétricas. Paralelamente, o órgão também acionou as distribuidoras para que reduzissem a geração em suas áreas de concessão, uma vez que não possui controle direto sobre essas fontes.
As ações fazem parte do Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição, aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em novembro de 2025. A reguladora determinou que as distribuidoras criassem um planejamento para cortar geração de energia, inclusive de pequenas usinas, para atender solicitações do ONS em momentos de excedente.
Baixa demanda
O plano emergencial foi criado para evitar instabilidade no sistema elétrico em datas de baixa demanda, como feriados, finais de semana e festas de fim de ano, quando setores como indústria e comércio operam com capacidade reduzida e há sobra de energia na rede. Também contribuem para o cenário as temperaturas mais amenas registradas neste feriado e o aumento da produção de energia solar em telhados de residências.
O crescimento da geração solar pode criar riscos porque o sistema elétrico precisa de equilíbrio instantâneo entre oferta e demanda. Quando a micro e minigeração distribuída (produção solar em telhados) atinge patamares elevados e supera o consumo, ocorre uma superoferta que o sistema não consegue controlar, o que pode afetar a capacidade do ONS de manter a segurança da operação.
Com a implementação do plano, o ONS busca evitar situações como a do Dia dos Pais de 2025, quando a geração de painéis solares chegou a atender quase 40% da demanda nacional em um momento de baixo consumo. Na ocasião, o sistema ficou com margem mínima de segurança e chegou perto de um colapso momentâneo, sendo necessário reduzir a geração de hidrelétricas e termelétricas e cortar quase 99% da produção das grandes usinas eólicas e solares.
Em nota, a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) afirmou que os agentes do sistema elétrico estão preparados para cumprir o plano. “As distribuidoras de energia elétrica estão preparadas para executar o plano, que, cabe ressaltar, foi elaborado pelo ONS, segundo diretrizes definidas pelo próprio operador do sistema. A definição dos montantes de energia elétrica também compete ao ONS durante a execução do plano emergencial”, disse a associação.
A entidade também cobrou do ONS maior detalhamento dos procedimentos, de modo que os eventuais cortes sejam feitos pelos geradores de acordo com “critérios claros, robustos e definidos”. A associação alerta que a falta de transparência sobre as medidas pode trazer insegurança jurídica para todo o setor elétrico.
Leia a íntegra do comunicado do ONS:
“O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informa que, a partir da previsão de cargas supervisionadas reduzidas para amanhã, 07 de junho, está tomando medidas de maneira a atuar preventivamente e evitar desequilíbrios no Sistema. Para amanhã, o Operador solicitou a redução dos recursos da geração centralizada, que estão sob sua responsabilidade. Esgotada essa providência, foi necessário colocar em prática o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição, aprovado pela Aneel. O ONS acionou as distribuidoras para que reduzissem a geração sob sua área de concessão, uma vez que o Operador não possui controle sobre essas fontes. Vale ressaltar que, em tempo real, o ONS seguirá acompanhando e coordenando ações no SIN, fazendo a gestão dos recursos disponíveis, de acordo com a demanda da sociedade em comunicação direta com os agentes do setor. Segue também atento à nova realidade eletroenergética e trabalhando para garantir a segurança e a eficiência do sistema, de acordo com os procedimentos de rede vigentes.”
Com informações de Poder360.