A Organização Meteorológica Mundial (OMM) informou nesta terça-feira (2) que há 80% de probabilidade de ocorrer um episódio de El Niño até o fim de agosto. O fenômeno climático natural tende a provocar condições meteorológicas e precipitações mais extremas, mas sua intensidade ainda é de difícil previsão, segundo Wilfran Moufouma Okia, diretor de previsões climáticas da agência da ONU.
Okia explicou que o El Niño tem um efeito de aquecimento temporário e, embora se origine nos trópicos, afeta grande parte do planeta. “Quando o El Niño acontece, esperamos secas no oeste da África, no Sahel, na África do Sul, na Austrália e no sudeste da Ásia”, afirmou. “Outras regiões registram chuvas abundantes, como o sudeste dos Estados Unidos e, especialmente, a região do Pacífico equatorial. Portanto, as regiões vão reagir de forma distinta ao fenômeno.”
Segundo ele, o El Niño não atua isoladamente, mas interage com outros fenômenos meteorológicos que podem amplificar ou enfraquecer sua intensidade. “Segundo nossas previsões, em termos gerais teremos um episódio de El Niño que vai oscilar entre moderado e forte”, disse. “Mas é importante destacar que cada episódio de El Niño é único. Poderíamos pensar que um fraco não terá consequências, mas não é assim. Dependendo do país e do contexto, as consequências podem ser tão prejudiciais como no caso dos episódios fortes.”
O diretor da OMM afirmou que a entidade disponibilizará suas conclusões aos países e serviços meteorológicos nacionais, cabendo a eles refinar as informações em nível local. Ele espera que os países levem os dados em consideração na preparação para o El Niño. “Os modelos da OMM são capazes de fazer previsões com seis meses de antecedência. Assim, esperamos que os países tenham tido tempo para se antecipar.”
No entanto, em alguns momentos as consequências superam a capacidade de resposta de um país, como ocorreu durante o último episódio de El Niño, em 2023 e 2024. “Naquele momento, houve uma diminuição das precipitações no Panamá que afetou o canal e, portanto, a economia mundial”, afirmou Okia.
De acordo com Okia, hoje os países trocam mais informações sobre o El Niño. “Houve menos vítimas em 2023 e 2024 do que em 1997. Assim, podemos presumir que os países estão mais bem preparados ou aprenderam as lições com os episódios anteriores”, afirmou. Na avaliação dele, os países compreendem a necessidade de compartilhar dados e “mesmo países em conflito” cooperam, “porque, para prever um fenômeno do outro lado do mundo, são necessários dados do outro lado”.
Com informações de Folha — Ambiente.