O número de pessoas com 60 anos ou mais no mercado de trabalho brasileiro cresceu 53% nos últimos dez anos, alcançando cerca de 8,8 milhões de ocupados em 2025, segundo estudo da empresa de pesquisa Nexus. No mesmo período, a população nessa faixa etária aumentou 37%, passando de 25,8 milhões para 35,2 milhões.
Atualmente, 25% das pessoas com 60 anos ou mais estão empregadas, a maior taxa da última década. Em 2016, o percentual era de 22%. O levantamento, feito com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) do IBGE, indica que o emprego entre idosos cresce em ritmo superior ao envelhecimento populacional.

No entanto, a informalidade atinge 53% dos trabalhadores 60+, percentual superior ao da população geral (38%) e ao de jovens de 18 a 24 anos (41%). Para o diretor executivo da Nexus, Marcelo Tokarski, os dados representam um "copo meio cheio, meio vazio". "Por um lado, podemos celebrar o fato de que pessoas aos 60 ou 70 anos ainda têm capacidade ativa para o trabalho", afirmou. "Entretanto, há uma precarização do período comumente destinado à aposentadoria", completou.
Tokarski apontou a reforma da Previdência de 2019 como um dos fatores para o aumento da ocupação entre idosos. A reforma elevou a idade mínima para aposentadoria das mulheres para 62 anos e dos homens para 65, além de aumentar o tempo de contribuição. "Isso força as pessoas a trabalharem mais", disse.

O estudo também destaca que a informalidade entre os 60+ é uma característica estrutural. "Enquanto o jovem muitas vezes consegue focar nos estudos ou prolongar a busca pela vaga ideal, o 60+ migra rapidamente para a informalidade", avaliou Tokarski. A pesquisa conclui que a sustentabilidade econômica do país depende de políticas públicas de incentivo à formalização e de revisão das estruturas corporativas para inclusão geracional.
Com informações de Agência Brasil — Economia — leia a matéria original.