Um dos principais jogadores da Escócia na Copa do Mundo, Scott McTominay, 29, não era visto como estrela quando jogava nas categorias de base do Manchester United. O motivo: baixa estatura. Atualmente com 1,93 m de altura, ele tinha 1,68 m no início de 2015, e ficou perto de ser descartado pelo time por ser considerado “pequeno demais”.

Uma mudança física, no entanto, colocou o volante de volta no radar. Já com um pé na vida adulta, ele entrou em um processo tardio e acelerado de estirão, período de crescimento rápido e significativo que geralmente ocorre em crianças e adolescentes. O camisa 4 da Escócia, que enfrenta a seleção brasileira nesta quarta-feira, 24, cresceu 25 cm em apenas 18 meses.

Durante a puberdade toda, em média, as meninas crescem 25 cm e os meninos crescem ao redor de 28 cm. Mas há um curto período de tempo em que a altura (comprimento) e o peso da criança ou do adolescente aumentam rapidamente — é o chamado “estirão do crescimento”. Essa é uma parte natural e saudável do desenvolvimento humano.

Em meninos, esse processo costuma ocorrer entre 12 e 16 anos, com o pico normalmente entre 13 e 14 anos. Um ganho de 10 centímetros é esperado no ano de pico de velocidade de crescimento, segundo o Manual MSD, uma das principais e mais tradicionais obras de referência médica do mundo.

Já as meninas passam por um crescimento rápido no início da puberdade, entre 9 e 13 anos de idade, com o pico tipicamente entre 11 e 12 anos. O ganho no ano de pico do estirão pode ser de 8 cm.

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O corpo, como um todo, experimenta o maior crescimento durante a adolescência: mamas nas meninas e genitais e pelos em ambos são as mudanças mais óbvias. Mas, se houver atraso na puberdade, o crescimento pode diminuir consideravelmente.

Alguns adolescentes podem passar pela puberdade um pouco mais lentamente do que outros, o que muitas vezes pode ser um padrão hereditário. É o caso do chamado retardo constitucional do crescimento, que não é considerado uma doença.

“Não há doença associada e os adolescentes atingem a estatura esperada para o padrão genético familiar”, explica Cristiane Kochi, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEMSP).

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Ou seja, se o atraso não for causado por alguma doença, o estirão do adolescente ocorrerá mais tarde com compensação do crescimento. Além da genética e hereditariedade, outros fatores que podem influenciar o padrão de crescimento são a desnutrição, alterações hormonais e qualidade do sono, por exemplo.

“A desnutrição pode atrasar a puberdade. Por outro lado, a obesidade pode antecipar a puberdade (e o estirão), principalmente em meninas”, exemplifica Kochi.

A avaliação de um pediatra ou endocrinologista pediátrico é fundamental para identificar possíveis causas, esclarecer dúvidas e, quando necessário, iniciar o acompanhamento adequado. Quanto mais cedo alterações no crescimento ou na puberdade forem investigadas, maiores são as chances de garantir um desenvolvimento saudável e evitar impactos físicos e emocionais.

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