O pré-candidato a presidência, Renan Santos. Foto: Divulgação/Luiz Rebelato
O Datafolha divulgado no fim de semana deu um banho de água fria nas expectativas de Renan Santos, fundador do MBL e pré-candidato à Presidência pelo Missão. Depois de comemorar uma pesquisa do Real Time Big Data que o colocou com 10% em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, o ativista apareceu nacionalmente com apenas 3% das intenções de voto.
O número é o mesmo registrado por Renan no levantamento anterior do Datafolha, em maio. Ou seja: a alta estadual que animou o entorno do candidato não se traduziu em crescimento nacional. A pesquisa mostra Lula na liderança, com 41%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 31%, enquanto Renan permanece no pelotão dos nomes que orbitam a disputa sem ameaçar a polarização.
A estagnação complica a narrativa do MBL, que tenta apresentar Renan como uma espécie de “outsider” capaz de romper o duelo entre Lula e o bolsonarismo. Até aqui, porém, o pré-candidato aparece mais como um ruído dentro da direita do que como uma alternativa real de poder.
O desempenho também relativiza o discurso de crescimento acelerado usado por Renan nas redes. Na prática, ele está empatado dentro da margem de erro com nomes tradicionais como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Aécio Neves, mas sem demonstrar força suficiente para deslocar o centro da eleição.
Pesquisa de intenção de votos do Datafolha realizado nos dias 17 e 18 de junho. Foto: Divulgação/Datafolha
O problema de Renan não é apenas eleitoral. Em 2021, ele foi acusado por uma modelo de tentativa de estupro; dois meses depois, a mulher registrou novo boletim de ocorrência se retratando da acusação. O caso voltou ao debate público em meio à tentativa do pré-candidato de ganhar tração nacional.
Mais recentemente, mensagens atribuídas a Renan em um grupo de Instagram expuseram referências a autores ligados à extrema-direita, comentários, citando um adorador de Hitler após tomar cogumelos alucinógenos, além de conversas com teor misógino e preconceituoso, ampliando o desgaste de um candidato que tenta vender imagem de renovação política.
A contradição é central para sua campanha. Renan tenta se apresentar como o rosto de uma direita nova, mais agressiva e “antissistema”, mas carrega o histórico do MBL, um movimento marcado por rupturas, ataques coordenados nas redes e reposicionamentos sucessivos desde o impeachment de Dilma Rousseff até a tentativa de se diferenciar do bolsonarismo.
O Datafolha, portanto, não apenas trava a euforia do entorno de Renan Santos. Ele mostra que o candidato ainda não conseguiu transformar barulho digital em voto, nem converter a rejeição à polarização em apoio concreto. Por enquanto, o “outsider” que sonha desafiar Lula e Flávio Bolsonaro segue preso aos 3%, e ao próprio passado.