Uma delegação formada por representantes da Petróleos Mexicanos (Pemex) e da Secretaria de Energia do México desembarcará no Brasil na próxima segunda-feira para concluir um acordo de cooperação com a Petrobras. O anúncio foi feito pela presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, que acompanha as negociações entre os dois países desde o início do ano.
A iniciativa começou a ser discutida após uma conversa entre Sheinbaum e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, o líder brasileiro sugeriu uma aproximação entre as estatais, proposta que deu origem a uma série de encontros técnicos realizados nos meses seguintes.
A parceria prevê a troca de conhecimento e o desenvolvimento de iniciativas conjuntas em diferentes áreas da cadeia energética. Entre os pontos incluídos no entendimento estão a exploração de reservas em águas profundas, a recuperação de campos maduros, a modernização de refinarias, projetos petroquímicos e a produção de combustíveis renováveis.
A estatal mexicana busca alternativas para enfrentar os problemas que atingiram sua capacidade de produção. Nos últimos anos, a empresa viu sua extração diária cair significativamente e passou a conviver com limitações operacionais, além de uma dívida estimada em cerca de US$ 80 bilhões. A falta de equipamentos e de especialistas em perfuração em águas profundas é apontada como um dos principais obstáculos.
Nesse cenário, a experiência acumulada pela Petrobras aparece como um dos principais atrativos da parceria. A companhia brasileira desenvolveu tecnologias voltadas para a exploração em águas ultraprofundas e consolidou a produção do pré-sal como um dos pilares do setor petrolífero nacional. Esse conhecimento poderá ser empregado em áreas mexicanas, incluindo a região de Cantarell.
Para o governo de Claudia Sheinbaum, o acordo permite incorporar tecnologia e experiência sem recorrer a grandes empresas privadas estrangeiras. Já a Petrobras vê na aproximação uma oportunidade de ampliar sua presença fora do Brasil em um momento de expansão dos investimentos.
Após a assinatura, o documento ainda deverá passar pela avaliação dos órgãos reguladores competentes. A expectativa dos dois governos é que a cooperação fortaleça os laços entre as principais empresas estatais de petróleo da América Latina.