O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta segunda-feira (8) a suspensão da divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel sobre a disputa presidencial de 2026. A decisão liminar atendeu parcialmente a um pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do partido, que contestaram a metodologia do instituto.
O levantamento, registrado sob o número BR-06939/2026, indicava queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro após a divulgação de áudios de conversas entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, que tratavam da negociação de cerca de R$ 132 milhões para o filme Dark Horse, sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A pesquisa também apontava aumento da rejeição ao pré-candidato.

No cenário estimulado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparecia com 48,9% das intenções de voto, contra 41,8% de Flávio Bolsonaro. Na rodada anterior, de abril, antes da divulgação dos áudios, o senador tinha 47,8% e Lula, 47,5%, o que representava uma oscilação negativa de seis pontos percentuais para o parlamentar.
Entre os entrevistados que afirmaram conhecer o vazamento das conversas, 51,7% disseram ver indícios de envolvimento direto do senador no escândalo do Banco Master. Outros 33,3% consideraram que as conversas mostravam uma tentativa legítima de obter apoio financeiro para a produção do filme, e 12,1% enxergaram apenas uma relação de proximidade entre Flávio e o dono do banco, sem comprovação de ilegalidade.

Ao acionar o TSE em maio, a defesa de Flávio Bolsonaro alegou que o instituto teria induzido os entrevistados a associar o senador a uma percepção negativa ao reproduzir o áudio antes das perguntas. A equipe jurídica classificou a pesquisa como um “precedente manipulativo grave” e afirmou que o formato adotado poderia contaminar as respostas.
Na decisão, Nunes Marques proibiu a AtlasIntel de realizar nova divulgação, impulsionamento, republicação ou manutenção do levantamento em seus canais oficiais até nova deliberação da Corte. O caso será analisado pelo plenário do TSE.
O PL argumentou que o questionário continha elementos capazes de influenciar os entrevistados, associando o nome de Flávio Bolsonaro ao caso Vorcaro antes da coleta de opiniões sobre intenção de voto, rejeição e viabilidade eleitoral. A defesa sustentou que a sequência das perguntas poderia comprometer a neutralidade.
Ao conceder a liminar, Nunes Marques afirmou haver indícios de possível comprometimento da metodologia. “Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada, inclusive no cotejo com os questionários de outras pesquisas registradas no TSE pela mesma empresa”, destacou o ministro.
A decisão também mencionou declarações do CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, em entrevista no dia 19 de maio. Segundo o magistrado, as manifestações públicas do dirigente sobre os possíveis impactos eleitorais do conteúdo apresentado aos entrevistados reforçaram as dúvidas levantadas pela representação. Na ocasião, Roman afirmou ser “nítido que não há um colapso imediato do Flávio Bolsonaro”, mas “bastante nítido também que será difícil que ele possa recuperar sua imagem e viabilidade eleitoral pela frente”.
Em nota, a AtlasIntel informou que respeitará a decisão, mas reafirmou “a robustez técnica e a legalidade do estudo”. O instituto destacou que “a pesquisa foi realizada sem que o áudio objeto da controvérsia fosse reproduzido aos respondentes durante a aplicação do questionário. O questionário principal foi integralmente concluído e submetido antes de qualquer contato do participante com o conteúdo audiovisual. Não houve qualquer tipo de indução aos entrevistados.”
Andrei Roman, em publicação no X, declarou que a gravação não teve impacto nos cenários eleitorais testados, pois o áudio é reproduzido após a conclusão do questionário. “A ideia é entender em tempo real o impacto do áudio sobre a percepção do eleitorado, com segmentação demográfica”, afirmou.
Além da suspensão, Nunes Marques determinou que a AtlasIntel apresente documentação técnica complementar para esclarecer aspectos da metodologia. O Ministério Público Eleitoral também foi intimado a se manifestar sobre o caso.
Com informações de Brasil de Fato — leia a matéria original.