O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é relator de processos que podem influenciar a disputa presidencial de 2026. Apesar de haver expectativa de que a corte adote uma postura mais contida, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) aguardam decisões favoráveis em casos sensíveis.

Indicado por Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF), Nunes Marques foi sorteado relator de um pedido do PL contra o instituto AtlasIntel. A legenda acusa a empresa de direcionar os resultados de uma pesquisa de intenção de voto ao incluir perguntas sobre a conversa de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, que trata do pagamento de 134 milhões de reais para financiar a cinebiografia Dark Horse, sobre o pai do senador. Segundo o PL, a reprodução do áudio da conversa teria induzido as respostas dos eleitores.

No levantamento da AtlasIntel, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 47,0% das intenções de voto contra 34,3% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. “Das 48 perguntas, 8 tratam, em claro induzimento, do suposto envolvimento de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e o Banco Master”, afirma o PL na ação. O partido argumenta que o questionário constrói uma progressão que produz contexto, não mera medição.

O filme Dark Horse e as relações de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro também são alvo de duas representações do PT, igualmente sob relatoria de Nunes Marques. Os petistas pedem que o ministro proíba a divulgação do filme e investigue possível abuso de poder econômico, já que milhões de reais foram direcionados por Vorcaro à produção. Para o PT, a obra pode configurar “peça de comunicação política de enorme impacto” em detrimento de um dos concorrentes na corrida presidencial.

A diferentes interlocutores, Nunes Marques tem afirmado que pretende impor um ritmo menos intervencionista à Justiça Eleitoral, em contraste com a gestão de Alexandre de Moraes em 2022, quando o TSE determinou a retirada de conteúdos, impediu a divulgação de um filme sobre Jair Bolsonaro e confrontou discursos negacionistas sobre as urnas eletrônicas.

Com informações de Veja.