A implementação do novo sistema de controle de fronteiras da União Europeia, conhecido como Sistema de Entrada e Saída (EES), tem gerado preocupação no setor aéreo. A declaração foi feita neste sábado (6.jun.2026) por Rafael Schvartzman, vice-presidente regional da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) para a Europa, durante entrevista a jornalistas na véspera dos painéis da Assembleia Geral Anual da organização, realizada no Rio de Janeiro.
De acordo com Schvartzman, o EES aumentou significativamente as filas para imigração em aeroportos europeus, especialmente em períodos de maior movimento. O sistema começou a ser implementado de forma gradual a partir de outubro de 2025. O executivo afirmou que o setor já enfrenta dificuldades antes mesmo do pico da temporada de verão, que ocorre entre 21 de junho e 23 de setembro na região. Passageiros têm perdido voos e conexões devido à lentidão nos procedimentos de controle.
Segundo o vice-presidente regional, o cadastro de um passageiro em um procedimento comum leva de 20 a 25 segundos em média. Com o EES, esse tempo pode subir para cerca de 90 segundos, mesmo quando o sistema funciona corretamente. O problema, segundo ele, é que a ampliação do tempo de atendimento se soma a falhas técnicas, limitações de infraestrutura e falta de recursos em alguns países. A combinação desses fatores pode causar esperas de 3 a 6 horas, o que foi classificado pelo representante da Iata como “inaceitável”.
O EES foi criado para registrar eletronicamente entradas e saídas de cidadãos de fora da União Europeia no Espaço Schengen. A ideia é que o sistema substitua gradualmente parte dos carimbos manuais em passaportes por um controle digital, com coleta de dados biométricos e informações de viagem.
Para a Iata, a adoção do sistema exige mais flexibilidade das autoridades europeias. Schvartzman defendeu que os países tenham margem para ajustar a aplicação das regras em situações de sobrecarga, especialmente em aeroportos com grande fluxo internacional. Ele afirmou que não desencoraja viagens à Europa, mas disse que os passageiros precisam estar mais bem informados e planejar melhor seus deslocamentos. O executivo também defendeu que os países criem aplicativos e ferramentas digitais para antecipar parte do processo e reduzir o tempo de espera.
Com informações de Poder360.