Oito anos depois do desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paissandu, região central de São Paulo, será erguido no local um novo prédio de habitação popular. A Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) informou que o projeto prevê 105 unidades habitacionais, com investimento de R$ 39,7 milhões oriundos do município.
Detalhes do empreendimento
O processo licitatório foi concluído e a empresa vencedora já foi definida. A prefeitura aguarda a apresentação da documentação necessária para emitir a ordem de início das obras. Segundo a Sehab, o projeto avançou após a remoção dos escombros, estudos técnicos do terreno e obtenção de aprovações legais e urbanísticas, incluindo a emissão do alvará em setembro de 2025. A previsão de conclusão é de aproximadamente 30 meses após o começo das obras.

Em relação às famílias que ocupavam o antigo edifício, a Sehab afirmou que 190 continuam recebendo auxílio-aluguel e serão atendidas com unidades do Residencial Parque Dom Pedro, cuja construção está em fase final, com entrega prevista até agosto.
Tragédia de 2018
Na madrugada de 1º de maio de 2018, o edifício Wilton Paes de Almeida pegou fogo e desabou, resultando na morte de sete pessoas — dois corpos nunca foram encontrados. A instalação elétrica era precária, com ligações clandestinas e curto-circuitos frequentes. Não havia extintores de incêndio. O prédio, embora tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp), estava abandonado pelo poder público havia pelo menos nove anos e abrigava mais de 200 famílias do Movimento de Luta Social por Moradia.
Histórico do edifício
Inaugurado em 1968, o Wilton Paes de Almeida foi projetado pelo arquiteto Roger Zmekhol, francês radicado no Brasil. A construção modernista, apelidada de "pele de vidro" por sua fachada envidraçada, tinha 24 andares, dois pisos de sobrelojas comerciais e 12 mil m² de área construída. Era pioneira no sistema de ar-condicionado central na cidade.
Originalmente, abrigou empresas do conglomerado do empresário Sebastião Paes de Almeida, que batizou o prédio com o nome do irmão. Nos anos 1970, devido a dívidas com a Receita Federal, o imóvel passou para a União. Em 1980, tornou-se sede da Polícia Federal em São Paulo, com o primeiro andar ocupado por uma agência do INSS. Os órgãos públicos deixaram o local nos anos 2000, dando lugar à ocupação por movimentos de moradia. Após o desabamento, em 2020, o governo federal doou o terreno à prefeitura, durante a gestão de Bruno Covas.