A Assembleia Legislativa do estado de Nova York aprovou uma suspensão de um ano para a concessão de licenças a novos data centers de grande porte. A medida, proposta por parlamentares democratas, visa responder à preocupação da população com o aumento nas contas de luz e o impacto ambiental dessas instalações. Se sancionada pela governadora Kathy Hochul, a legislação tornará Nova York o primeiro estado norte-americano a adotar um veto generalizado desse tipo.

A proibição temporária se aplica a projetos com demanda de pico igual ou superior a 20 megawatts. O pacote foi aprovado com 44 votos a favor e 16 contra no Senado estadual, além de 102 a 39 na Assembleia.

O texto agora segue para a mesa da governadora, que tem até dezembro para decidir se assina ou veta o projeto. Sua assessoria informou, em nota ao Politico, que a proposta será revisada e que o governo busca alternativas para garantir que essas estruturas não sobrecarreguem os custos para os cidadãos.

Nova legislação exige estudos de impacto ambiental e divide opiniões

Durante o período de suspensão, a agência ambiental de Nova York ficará encarregada de elaborar um relatório oficial detalhado. Esse documento deverá avaliar os volumes exatos de eletricidade, água e terra que os novos data centers consomem, bem como o nível de poluição que geram.

Além disso, a lei obriga as empresas de tecnologia a organizar e financiar uma audiência pública com a comunidade local com pelo menos três meses de antecedência antes de receberem qualquer aprovação para suas obras.

A senadora democrata Kristen Gonzalez, uma das principais patrocinadoras da medida, defendeu que as novas regras dão aos governos locais uma vantagem regulatória crucial ao lidar com “gigantes da tecnologia”, citando nominalmente empresas como Amazon e Meta. Em debate no plenário, Gonzalez argumentou que a demanda energética gerada por esses centros atinge uma escala inédita e que a inação política resultaria na transferência direta de custos extras para as contas de consumo da população.

Apesar do avanço no legislativo, a proposta enfrenta forte resistência de parlamentares republicanos, organizações comerciais e sindicatos do setor de construção. Críticos apontam que o bloqueio vai prejudicar a criação de empregos e reduzir a autonomia de decisão dos municípios. Stacey Sikes, presidente e CEO interina da associação empresarial Long Island Association, afirmou que uma suspensão ampla é prejudicial para a economia e que as autoridades deveriam analisar cada caso individualmente. Paralelamente, o Conselho de Sindicatos da Construção Civil do Estado de Nova York emitiu um memorando para tentar convencer a governadora a barrar o texto.

O movimento em Nova York reflete um cenário de descontentamento nacional, onde pesquisas indicam que a maior parte dos norte-americanos se opõe à instalação de data centers nas regiões onde moram. Atualmente, o órgão independente responsável pela rede elétrica nova-iorquina analisa 24 propostas de novos data centers, totalizando mais de 9 mil megawatts em análise.

No começo de 2026, o estado do Maine tentou implementar um veto semelhante válido até 2027, mas a proposta foi integralmente vetada pela governadora devido à ausência de uma cláusula de isenção para um projeto já planejado.

Com informações de Olhar Digital.