Um novo medicamento experimental, o daraxonrasib, mostrou-se capaz de retardar a progressão do câncer de pâncreas metastático e dobrar a sobrevida dos pacientes, de cerca de 7 meses para 13 meses, segundo estudo publicado no The New England Journal of Medicine. O anúncio foi feito durante um encontro da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco) e recebido com aplausos de pé pelos médicos presentes.

O daraxonrasib, desenvolvido pela farmacêutica americana Revolution Medicines, atua bloqueando uma proteína que induz a multiplicação descontrolada das células. O estudo de fase 3 contou com 500 pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático, o tipo mais comum de câncer de pâncreas, todos com metástase e que já haviam passado por quimioterapia.

Resultados do estudo

Metade dos pacientes continuou com quimioterapia; a outra metade recebeu o daraxonrasib em comprimidos orais diários. Os resultados mostraram que a sobrevida média foi de 6,7 meses no grupo da quimioterapia e de 13,2 meses no grupo tratado com o daraxonrasib. Também houve melhora na qualidade de vida e redução da dor.

Atualmente, apenas 3% dos pacientes com câncer de pâncreas metastático vivem mais de 5 anos após o diagnóstico. A quimioterapia e outras intervenções têm resultados limitados. Com a divulgação do estudo, espera-se que o daraxonrasib seja incorporado ao tratamento da doença.

Doença 'intratável'

O câncer de pâncreas é considerado o mais letal por ser silencioso – quando diagnosticado, muitas vezes já está avançado – e porque mais de 90% dos casos envolvem mutação no gene KRAS, que mantém ativado um interruptor celular que induz a divisão descontrolada das células. Por décadas, cientistas tentaram criar fármacos que neutralizassem a proteína KRAS, sem sucesso, devido à sua estrutura única.

O daraxonrasib traz uma estratégia inovadora: em vez de se ligar diretamente à KRAS, ele se liga primeiro a uma molécula chamada cyclophilin A, e essa combinação consegue neutralizar a ação da KRAS.

Efeitos colaterais e futuro

O medicamento apresenta efeitos colaterais como erupções cutâneas, diarreia e vômitos, mas em menor frequência e intensidade que a quimioterapia. Apenas 1% dos pacientes do grupo do daraxonrasib abandonou o tratamento por causa dos efeitos adversos, contra 11% no grupo controle.

A droga ainda não foi aprovada por nenhuma agência regulatória e não está disponível fora de ensaios clínicos. Espera-se que a FDA (agência regulatória dos Estados Unidos) analise os dados nos próximos meses. Outros estudos devem avaliar a ação da pílula em diferentes estágios da doença. O daraxonrasib também pode abrir caminho para novos medicamentos contra tumores causados por mutações no gene KRAS, como câncer de pulmão e colorretal.

Com informações de Super Interessante.