A Petrobras acaba de assinar com a estatal mexicana, Petróleos Mexicanos (Pemex), um memorando de entendimento para a cooperação energética entre as companhias, voltado à exploração petrolífera e ao refino e à pesquisa na cadeia de desenvolvimento dos hidrocarbonetos.
O acordo foi firmado na sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, e o memorando abre caminho para oportunidades de negócios em áreas consideradas estratégicas.
O principal foco é a exploração das águas profundas do Golfo mexicano, considerada uma região promissora para a fronteira energética do país, mas ainda subexplorada.
Durante a assinatura do acordo, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, sinalizou o potencial geológico da região e a avaliação de que o Golfo do México tenha estruturas similares às do pré-sal brasileiro, com formações petrolíferas ultraprofundas.
Hoje, a maior parte da produção da Petrobras vem dos campos profundos. Cerca de 80% do total produzido pela companhia é proveniente das bacias do pré-sal, resultado de avanços técnicos em perfuração e produção offshore, que envolvem modelagens geológicas complexas.
Com a Pemex, a Petrobras deve aplicar tecnologias avançadas para descobrir novos reservatórios no Golfo. O campo mais explorado do México é o de Cantarell, na Baía de Campeche, descoberto em 1976.
Cantarell chegou a produzir mais de dois milhões de barris por dia em 2004, no auge da exploração, antes de o reservatório entrar em declínio.
Em 2026, a Pemex registrou uma produção média de 1,65 milhão de barris de petróleo equivalente por dia. O volume, porém, ainda permanece abaixo dos níveis históricos observados no país após o auge de Cantarell.
Para Chambriard, a cooperação vai permitir que as empresas aprendam em conjunto como vencer as dificuldades relacionadas à modernização tecnológica e ao aproveitamento dos derivados dos hidrocarbonetos na cadeia produtiva mexicana.
Se os estudos técnicos confirmarem o potencial econômico das áreas avaliadas no Golfo, a parceria também pode contribuir para revitalizar a indústria petrolífera mexicana e ampliar a presença da Petrobras em campos no exterior.
A companhia já havia adquirido participação em novos blocos de exploração no litoral do Brasil e tem expandido o portfólio internacional com a aquisição de 45% de participação nos blocos 10 e 13 e de 25% no bloco 11, em São Tomé e Príncipe.
Outros investimentos foram anunciados na Namíbia, onde a estatal comunicou a compra de 42,5% de participação no bloco 2613, na Bacia de Lüderitz, em parceria com a TotalEnergies.