O tênis brasileiro vive um momento de destaque nas categorias juvenis, com uma safra de jovens talentos que vem chamando atenção internacional. Guto Miguel, de 17 anos, tornou-se o novo número 1 do ranking mundial da ITF para tenistas de até 18 anos, após conquistar o título juvenil de Roland Garros. No feminino, Victoria Barros, de 16 anos, alcançou a semifinal do mesmo Grand Slam, feito que não ocorria para uma brasileira juvenil há quase 40 anos. Naná Silva, também de 16 anos, caminha para ocupar o quinto lugar do ranking mundial juvenil.
O head coach Léo Azevedo, que treina Naná e Guto no Time Rede Tênis, prefere manter cautela quanto ao potencial da geração. “Eu não gosto muito de geração de ouro, eu acho que uma boa geração. Essas definições, geração de ouro, não sei o que, eu acho que o tempo dirá se vai ser de ouro. Ou não. Se a gente está numa posição boa, a gente está. Isso não resta dúvida”, declarou.
Estrutura e convivência impulsionam talentos
Para Azevedo, um dos fatores que explica o surgimento simultâneo de tantos nomes promissores é a proximidade entre eles. Diferentemente de outras épocas, os principais talentos brasileiros da nova safra treinam juntos e compartilham experiências em torneios. “O que eu vejo é que muitos deles estão perto um do outro, treinam, a gente está junto em torneio. Acho que isso é uma coisa importante, que é um dos fatos principais, um puxar o outro, um se espelhar no outro”, afirmou.
Além disso, o treinador destaca o crescimento da estrutura do tênis no Brasil, com mais torneios, patrocinadores e academias. “Além de ter mais investimentos voltados pro tênis, mais patrocinadores envolvidos, mais academias aparecendo e mais lugares para os jogadores treinarem. É um conjunto de tudo”, completou.
Estilo agressivo e preparação profissional
Outra característica comum entre os jovens brasileiros é o estilo de jogo agressivo, com busca constante pela iniciativa. “Eu acho que da nova safra dos brasileiros uma coisa que chama a atenção são jogadores, a maioria, bastante agressivos. E se você reparar em Naná, Guto, João, Vitória... já tem equipes multidisciplinares por trás deles”, observou Azevedo.
O treinador também alerta contra comparações simplistas com gerações passadas. “O Brasil sempre foi um país que produziu jogadores, esporadicamente, ou por esforços individuais, talvez agora a gente tenha mais lugares preparados para formar jogadores, talvez Bia, João venham num momento que tem mais mídia do que antigamente quando tinha o Guga”, ponderou.
Além de Guto e Victoria, outros nomes como João Fonseca, já consolidado no circuito profissional, e Leonardo Storck, que fez sua melhor campanha em Grand Slam juvenil ao chegar à semifinal de Roland Garros, reforçam o momento positivo do tênis brasileiro.
Com informações de ge — Globo Esporte.