Uma nova espécie de polvo das profundezas foi descoberta no Oceano Pacífico. Batizado de Grimpoteuthis feitiana, o animal pertence ao grupo dos cirrados e foi encontrado a cerca de 1.240 metros de profundidade nas encostas do monte submarino Caroline, no Pacífico Ocidental. A coleta ocorreu em 2017 durante uma expedição científica.

Características físicas e adaptações

O polvo mede aproximadamente 19 centímetros de comprimento e possui coloração alaranjada avermelhada translúcida. Seu corpo é extremamente gelatinoso e macio, adaptado para flutuar em ambientes de alta pressão. Diferente de polvos costeiros, ele tem nadadeiras largas nas laterais da cabeça que lembram orelhas, o que lhe rendeu o apelido popular de polvo Dumbo.

A locomoção é feita principalmente pelas nadadeiras, com abandono quase completo da propulsão por jato d'água. A flutuabilidade neutra permite que o animal paire e plane sem esforço, economizando energia em um ambiente com escassez de alimento.

Identificação e metodologia

A pesquisa foi conduzida por especialistas da Academia Chinesa de Ciências e da Universidade do Oceano da China. Para superar os danos causados pela coleta em animais de corpo gelatinoso, os cientistas utilizaram a taxonomia integrativa, combinando análises morfológicas e genéticas. O mapeamento do genoma mitocondrial revelou adaptações na maquinaria celular para processar energia com eficiência em condições de frio extremo e baixa disponibilidade de nutrientes.

Origem do nome

O nome específico feitiana é uma homenagem aos Feitian, figuras voadoras mitológicas presentes nos afrescos de Dunhuang, na China. A escolha busca evocar a imagem de movimentos graciosos e fluidos, semelhantes à forma como o polvo se desloca na escuridão.

Ameaças ao habitat

O ecossistema do monte submarino Caroline enfrenta ameaças de atividades humanas, como a presença de microplásticos e planos de mineração no fundo do mar. Os pesquisadores destacam que mapear as espécies locais ajuda a fundamentar futuras decisões de conservação.

A descoberta foi publicada na revista Organisms Diversity & Evolution e reforça que expedições ao mar profundo continuam revelando organismos desconhecidos, ampliando o conhecimento sobre a biodiversidade oceânica.

Com informações de Catraca Livre.