Uma nova espécie de lesma-do-mar, com tamanho comparável ao de uma semente de gergelim, foi descoberta em Taiwan, conforme estudo publicado na revista ZooKeys. O animal, do grupo dos nudibrânquios, mede menos de três milímetros e possui corpo translúcido com pequenos pontos pretos e amarelos.

Por quase dois séculos, biólogos acreditavam conhecer bem o gênero Thecacera, formado por seis espécies distribuídas em ambientes marinhos de diferentes partes do mundo. Esses moluscos sem concha têm tamanhos entre meio centímetro e um centímetro. A nova espécie, batizada de Thecacera sesama, surpreendeu por sua dimensão extremamente reduzida.

Descoberta e confirmação

A descoberta ocorreu nas proximidades do porto de Keelung, região costeira marcada por praias, enseadas rochosas e intensa atividade pesqueira. O pesquisador Ho-Yeung Chan observou o animal ainda quando era estudante. Anos depois, com apoio da especialista Hsini Lin, conseguiu confirmar que se tratava de uma espécie inédita. As condições locais, com poucos meses adequados para mergulho por ano, dificultam a observação de organismos tão pequenos.

O nome científico Thecacera sesama foi inspirado na semelhança do animal com uma semente de gergelim, devido ao seu tamanho e aparência. Análises genéticas mostraram que a nova espécie apresenta cerca de 14,17% de divergência em relação ao parente mais próximo, Thecacera picta. Diferenças na coloração e no padrão corporal também ajudaram a confirmar sua classificação como espécie distinta.

Ecologia e importância

A espécie foi observada em associação com briozoários, organismos marinhos que servem de alimento e substrato para sua sobrevivência. Seus comportamentos incluem alimentação, busca, acasalamento e postura de ovos. Segundo os pesquisadores, lesmas-do-mar como essa desempenham papel importante nos ecossistemas marinhos e podem indicar a existência de outras espécies ainda desconhecidas na região do Pacífico Ocidental.

O achado reforça a ideia de que mesmo regiões relativamente próximas de áreas urbanas ainda podem abrigar espécies desconhecidas pela ciência. Para os pesquisadores, a descoberta de Thecacera sesama destaca a importância de estudos de campo contínuos e do uso de técnicas genéticas na identificação de novos organismos. O caso também sugere que a biodiversidade marinha do Pacífico Ocidental pode ser muito mais rica do que se imaginava, especialmente entre organismos microscópicos ou de difícil observação.

Com informações de Olhar Digital.