Pesquisadores da Adelaide University, na Austrália, e do Imperial College London, no Reino Unido, desenvolveram uma bateria capaz de atingir 85% de carga em apenas seis minutos, mantendo alta densidade de energia. O estudo, publicado na revista Nature Energy, apresenta uma solução para o dilema entre carregamento rápido e degradação da bateria, que afeta a durabilidade dos veículos elétricos.

De acordo com o estudo, a nova célula forneceu cerca de 240,4 Wh/kg, o que permite longa autonomia sem adicionar peso extra ao veículo. O grande diferencial é que o material suporta o estresse do carregamento rápido repetido sem sofrer fissuras ou degradação estrutural significativas. O protótipo reteve 76% de sua capacidade original após 500 ciclos consecutivos de carga rápida de seis minutos, superando o padrão da indústria, que considera um sucesso a manutenção de 80% da capacidade após centenas de ciclos, mas apenas sob cargas lentas.

Mecanismo de proteção

A solução não está no eletrólito, mas na superfície do eletrodo. A equipe liderada pelo professor Shi-Zhang Qiao utilizou um mecanismo chamado catálise interfacial de redução de ânions. Em comunicado, Qiao explicou que “os sítios catalíticos na superfície do eletrodo atraem ânions para a interface da bateria e promovem a formação de uma camada protetora inorgânica robusta, que é fundamental para o carregamento rápido e a estabilidade a longo prazo”. Essas modificações catalíticas funcionam como ímãs, puxando partículas negativas do eletrólito para formar um escudo inorgânico que permite a entrada de energia durante o carregamento ultrarrápido sem danificar a estrutura interna.

Testes e próximos passos

A validação decisiva veio com células em formato pouch, usadas em baterias reais de veículos elétricos. A célula atingiu 88,6% da carga em dez minutos e 83,6% em apenas seis, ambos acima do padrão mínimo exigido pelo USBAC (Consórcio Americano de Baterias Avançadas), que funciona como certificado de viabilidade comercial. Os próximos passos envolvem escalonamento e validação em condições reais de uso, etapas que podem levar anos. Será necessário provar que o material pode ser fabricado em larga escala com custo competitivo. Se a viabilidade se confirmar, o impacto vai além do tempo de recarga: uma bateria mais resistente preserva um componente que representa até 30% do valor de um veículo elétrico, eliminando um dos principais obstáculos para a transição à mobilidade elétrica.

Com informações de CNN Brasil.