A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, em fase de encerramento conforme anúncio do presidente americano Donald Trump, gerou expectativas de normalização nos mercados agrícolas. No entanto, a oferta de fertilizantes deve demorar mais para se regularizar, em comparação com outras commodities, devido aos gargalos logísticos e de segurança no transporte marítimo.

Os preços das commodities agrícolas, que haviam disparado desde o final de fevereiro com o início do conflito, começaram o dia 15 em queda. A retração já era observada após os últimos relatórios de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda). Contudo, ao fim do dia, as cotações voltaram a subir. O mercado aguarda agora uma melhora na oferta de insumos e redução de preços, especialmente de fertilizantes.

Impacto no transporte e incertezas geopolíticas

O fechamento do Estreito de Hormuz interrompeu o fornecimento de matérias-primas para fertilizantes e de produtos prontos, vindos de países do Oriente Médio, grandes fornecedores mundiais. A normalização do tráfego de navios deve ser mais lenta, e a redução dos custos de frete e seguro pode não ocorrer rapidamente, até que haja certeza de segurança operacional.

Trump, que iniciou o mandato prometendo combater a inflação, viu os preços de maio registrarem a maior alta dos últimos anos. Segundo a análise, o presidente americano estaria apressado em encerrar um conflito do qual pode ter se arrependido, possivelmente influenciado por Israel. O comportamento israelense ainda é incerto.

Rejeição no campo e aumento de falências

O apoio a Trump no meio rural caiu para 50%, ante 60% de um ano atrás, enquanto a rejeição subiu para 48%, acima dos 34% anteriores. A desestruturação do setor rural no período Trump, combinada com a queda mundial dos preços das commodities, resultou em margens de lucro reduzidas e alta incidência de insolvência. No primeiro ano do segundo mandato de Trump, as falências no setor rural aumentaram 46%, e os pedidos de abril de 2026 superam em 130% os do mesmo mês de 2025 — só ficando atrás dos registros de 2019 e 2020, durante o primeiro mandato.

Efeitos para o Brasil

O fim da guerra favorece o produtor brasileiro, que ainda precisa adquirir fertilizantes para a safra de soja do segundo semestre. No entanto, o país já sentiu os efeitos do conflito: as importações de fertilizantes da região caíram para 1 milhão de toneladas em 2026, 33% a menos que nos cinco primeiros meses de 2025. As exportações brasileiras de carne para a região recuaram 5%; as de cereais, 21%; e as de soja, 43%. O Irã, principal afetado, é um grande parceiro do agronegócio brasileiro.

Na Bolsa de Chicago, o milho, que iniciou o pregão em queda, recuperou-se e fechou em alta. Com exceção do açúcar, as demais commodities também fecharam em alta. Já a ureia, mantendo tendência das últimas semanas, voltou a cair nos Estados Unidos.