O líder da organização criminosa Tren de Aragua, Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como Niño Guerrero, morreu aos 42 anos em uma operação militar dos Estados Unidos realizada no sul da Venezuela, conforme anunciado na sexta-feira (12) pelo presidente Donald Trump e confirmado por autoridades venezuelanas.
Nascido em Maracay, a cerca de 100 quilômetros de Caracas, Guerrero começou sua trajetória criminosa ainda na adolescência, sem ter concluído o ensino médio. Em 2010, já acumulava crimes como roubos, assassinatos e sequestros, sendo preso na penitenciária de Tocorón, no estado de Aragua. Após uma fuga, foi recapturado dois anos depois.
A construção do Tren de Aragua
Dentro do presídio, Guerrero transformou-se em um pran — sigla para “peso rematado, assassino nato”, termo usado por criminosos para designar o líder de uma quadrilha, segundo o advogado e professor de criminologia Luis Izquiel, da Universidade Central da Venezuela. Izquiel destacou que Guerrero não se impunha apenas pela violência, mas por uma “grande inteligência criminosa”, que lhe permitiu expandir os tentáculos da organização.
Na prisão, Guerrero desfrutava de luxos: uma casa de dois andares, piscina, campo de beisebol, discoteca, restaurantes e até um zoológico, conforme documentou a jornalista Ronna Rísquez, autora do livro El Tren de Aragua: la banda que revolucionó el crimen organizado en América Latina. Dentro e fora dos muros, ele controlava armas e dinheiro, e a ele são atribuídos crimes atrozes em diversos países, incluindo Colômbia, Chile, Equador, Peru e Bolívia.
Fuga e expansão internacional
Em 2023, Guerrero fugiu de Tocorón durante operações do governo venezuelano para desmantelar o sistema de pranes na penitenciária. Em 2025, foi denunciado por um tribunal de Nova York, junto com outros 69 supostos membros do Tren de Aragua, por ordenar, dirigir e facilitar atos de terrorismo e violência nos Estados Unidos. Washington oferecia uma recompensa de cinco milhões de dólares por informações que levassem à sua captura.
No mesmo ano, o governo Trump classificou o Tren de Aragua como “organização terrorista”.
Operação e morte
O paradeiro de Guerrero era oficialmente desconhecido até a operação desta sexta-feira. Trump anunciou nas redes sociais que ele foi morto em “um ataque rápido e letal” realizado por forças americanas, em ação “estreitamente coordenada” na Venezuela. Um vídeo de 10 segundos divulgado pelo presidente mostra uma vista aérea de uma construção cercada por vegetação, seguida de uma explosão que levantou uma grande nuvem de fumaça.
Autoridades venezuelanas confirmaram que Guerrero foi “neutralizado” no estado amazônico de Bolívar, durante “confrontos com integrantes” de “estruturas de criminalidade organizada que operavam na região”.
Para o criminologista Luis Izquiel, a morte representa “um duro golpe” para o Tren de Aragua, pois Guerrero era um chefe de comando vertical. Diferentemente de outras organizações, a cúpula do grupo pode não ser substituída imediatamente.
Possíveis sucessores
Os Estados Unidos apontam como braço direito de Guerrero Johan Petrica, antigo companheiro em Tocorón, identificado como a conexão do Tren de Aragua em Bolívar, uma rica região mineradora. Também mencionam Juancho, um ex-capataz de minas legais de origem colombiana, que tinha liderança entre os trabalhadores e depois se tornou um pran.
Ambos operavam em La Claritas, onde existem importantes jazidas de ouro e onde o governo venezuelano mobilizou esta semana uma grande operação militar.