O termo neurodiversidade, que pode soar estranho à primeira vista, carrega o objetivo de construir uma sociedade mais justa para pessoas autistas e com condições como TDAH, dislexia, discalculia, dispraxia, transtorno de aprendizagem não verbal ou questões de processamento sensorial. A palavra foi sistematizada no final dos anos 1990 pela socióloga australiana Judy Singer, segundo registros históricos.

Em entrevistas, Singer contou que sua mãe, sobrevivente do Holocausto, migrou de Budapeste para Brisbane, na Austrália. A mãe era vista como preguiçosa, não conseguia trabalhar e não se encaixava socialmente. Singer acreditava que isso ia além do trauma e da marginalidade. Quando sua própria filha nasceu e apresentou características diferentes do padrão, Singer percebeu que estava diante de três gerações de mulheres no Transtorno do Espectro Autista (TEA): a mãe, ela mesma e a filha.

Origem do termo

Singer definiu neurodiversidade como um movimento social para minorias neurológicas, inspirado em outros movimentos de afirmação de direitos. Ela se desculpa de forma bem-humorada pelo termo, mas defende que ele nomeia um movimento já existente, potencializado pela troca de informações entre autistas pela internet nos anos 1990.

O movimento da neurodiversidade

Hoje, a neurodiversidade é um movimento global e transversal que afirma que não existe uma forma correta de ser e, portanto, não há o que ser consertado. Contra o estigma, busca enxergar a diferença como potência humana, não como déficit. Essa revolução contrasta com a realidade de 60 anos atrás, quando autistas de maior suporte eram trancados em hospitais psiquiátricos ou submetidos a terapias desrespeitosas.

Para celebrar o Dia do Orgulho Autista, Singer resume: "É uma palavra chique para toda a humanidade".

STF e a reforma tributária

Nesta quinta-feira (18), Dia do Orgulho Autista, o Supremo Tribunal Federal (STF) retoma o julgamento de duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) que questionam trechos da reforma tributária. As ações contestam a exclusão de autistas de menor suporte do acesso a isenções para compra de carros novos.

Um argumento central é que uma pessoa autista pode transitar pelo espectro ao longo da vida, dependendo de intervenções, fases da vida (como adolescência) e obstáculos. O espectro não é uma linha reta do menor ao maior suporte, mas sim um gráfico radar, com diferentes eixos como comunicação, interação social, sensorial e rigidez. Assim, definir benefícios com base em um patamar fixo de prejuízos (moderado ou grave) seria como usar uma régua burocrática para medir a complexidade do autismo.