As negociações presenciais entre os Estados Unidos e o Irã, que ocorreriam nesta sexta-feira (19) na Suíça, foram canceladas, conforme anunciou o Ministério das Relações Exteriores do país europeu. A informação foi divulgada pela Associated Press.

De acordo com a Casa Branca, o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, adiou sua viagem à Suíça por problemas logísticos. Já uma fonte de um governo do Oriente Médio afirmou à agência que o Irã desistiu da reunião devido aos combates no Líbano e às declarações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que disse que as tropas de Israel não se retirarão do sul do Líbano, onde enfrentam o Hezbollah, grupo aliado do Irã.

Memorando de Islamabad

O cancelamento ocorre dois dias após a assinatura do Memorando de Islamabad, na quarta-feira (17), por EUA e Irã. O documento prevê o fim dos combates em todas as frentes, incluindo no Líbano, além da desobstrução do Estreito de Ormuz e do fim do bloqueio naval americano a portos iranianos. As duas partes se comprometem a negociar um acordo final em até 60 dias, prazo prorrogável por mútuo consentimento.

Um dos pontos mais delicados das negociações é o programa nuclear iraniano, que motivou o início da guerra em 28 de fevereiro. Ainda não há nova data marcada para as conversas presenciais.

Escalada no Líbano

Apesar do memorando, os confrontos no Líbano se intensificaram nesta sexta-feira. As Forças de Defesa de Israel (FDI) informaram que quatro soldados israelenses morreram em um ataque com drone realizado pelo Hezbollah no sul do país. O governo libanês, por sua vez, reportou ao menos 18 mortos e 33 feridos em ataques israelenses.

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, publicou em sua conta no X: “Para cada lágrima de uma mãe israelense, mil mães libanesas devem chorar. Todo o Líbano deve queimar! Com todo o respeito aos americanos, Israel deve deixar claro para o mundo inteiro que o sangue dos nossos filhos e a segurança dos nossos cidadãos não estão à deriva.”