O Grupo de Trabalho (GT) formado por representantes dos governos brasileiro e norte-americano para negociar as tarifas impostas pelos Estados Unidos em 2025, criado no início de maio, deveria funcionar por apenas 30 dias, mas as conversas devem se prolongar por mais um mês. O prazo original terminaria neste domingo (7 de julho).
O GT foi estabelecido após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Casa Branca para dialogar com o governo dos EUA. No entanto, durante esse período, os Estados Unidos recomendaram um novo tarifaço contra o Brasil, com base na Seção 301, que investiga práticas anticoncorrenciais. A ameaça é de uma sobretaxa adicional de 25% sobre algumas exportações brasileiras.
Como as negociações não avançaram no último mês, o governo brasileiro trabalha com o prazo de 15 de julho para tentar reverter o primeiro pacote de tarifas. O Brasil já está sujeito a uma tarifa global de 10% desde o ano passado. Agora, busca também reverter o tarifaço de 25%. Uma terceira ofensiva dos EUA, que prevê sobretaxar as exportações em 12,5% sob alegação de trabalho forçado, ainda não entrou na conta.
Do lado brasileiro, o GT é coordenado pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa. Participam também integrantes do Itamaraty. O Brasil pretende demonstrar que os norte-americanos têm superávit na relação comercial bilateral, mas não descarta incluir outros temas na negociação, como terras raras e etanol, caso sejam demandados pelos EUA.
Apesar da extensão do prazo, integrantes do governo não descartam que haja ainda mais tempo de negociação. Segundo fontes próximas ao assunto, o governo norte-americano está disposto a manter o diálogo. Prova disso foi a declaração do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, ao chanceler brasileiro, Mauro Vieira, sobre a continuidade das conversas.
Com informações de Folha — Poder.