Cinco indígenas morreram e um adolescente de 14 anos está desaparecido após um naufrágio ocorrido na tarde de quarta-feira (10) no Rio Xingu, em Altamira, no Pará. A embarcação do tipo voadeira transportava 14 pessoas da Terra Indígena Kararaô, entre homens, mulheres e crianças, quando afundou no trecho conhecido como Canalzão, próximo à Base Operacional Koatinemo.

De acordo com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a área tem fortes correntezas, redemoinhos e presença de pedras. A voadeira é um barco pequeno de alumínio comumente usado como meio de transporte na Amazônia e no Pantanal.

Vítimas e desaparecidos

Dos indígenas a bordo, 13 eram da etnia Xikrin, provenientes da Terra Indígena Trincheira Bacajá, na região do Baixo Bacajá, e um da etnia Kayapó, identificado como Patukre Kayapó, conhecido como Romário Kayapó, piloto da embarcação e oriundo da Terra Indígena Kararaô. Até domingo (14), cinco corpos foram encontrados. As buscas continuam pelo adolescente identificado como Beptoti.

Ações de busca e resgate

A Marinha do Brasil e o Corpo de Bombeiros do Pará, por meio do 9º Grupamento Bombeiro Militar de Altamira, atuam na ocorrência. A Marinha coordena as operações pela Capitania dos Portos da Amazônia Oriental, em parceria com a Funai, o Exército Brasileiro e a empresa Norte Energia. No domingo, a corporação informou que uma nova equipe especializada do Centro de Hidrografia do Norte, sediado em Belém, será deslocada para a área com um aparelho de varredura subaquática de alta precisão (sidescan) para ampliar a capacidade de buscas.

Apoio institucional

A Funai detalhou o papel de cada órgão: a equipe na Base Operacional Koatinemo prestou apoio emergencial às vítimas; a Coordenação Regional e a Coordenação de Frente de Proteção Etnoambiental do Médio Xingu acionaram o Corpo de Bombeiros, a Polícia Civil do Pará e a Marinha. Além disso, a Funai articulou com o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) de Altamira para atendimento em saúde aos resgatados e com a Norte Energia S.A., que contribuiu com alimentação. Também foram enviados mantimentos, medicamentos e drones para auxiliar as buscas.

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) foi a primeira a informar o caso e manifestou solidariedade às vítimas dos povos Kayapó e Xikrin. Em nota, o órgão afirmou: “A Coiab acompanha com preocupação os desdobramentos da ocorrência e espera que as equipes de busca e resgate consigam localizar, com urgência, todas as pessoas desaparecidas, prestando o apoio necessário às vítimas e seus familiares.”