Uma narrativa que associa o senador Flávio Bolsonaro ao tarifaço dos Estados Unidos, apelidada de “Tariflávio”, dominou o debate nas redes sociais e ampliou a pressão sobre sua pré-campanha. De acordo com dados do Instituto Democracia em Xeque, as publicações que atribuem culpa ao senador pelas tarifas foram quase dez vezes maiores que as que responsabilizam o presidente Lula.
O relatório aponta que a narrativa do “Tariflávio” concentrou 563,1 mil publicações e 4,7 milhões de interações. Já a tentativa de atribuir a culpa a Lula alcançou 58,9 mil publicações e 606,4 mil interações. Para os pesquisadores, a diferença indica que a responsabilização da família Bolsonaro engajou com mais força a conversa pública.
A associação reúne três elementos: a tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos, o ataque ao Pix e a aproximação entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump, interpretada por críticos como uma ação contra interesses nacionais.
Fala de Eduardo Bolsonaro sobre Zelle gera reações
A crise ganhou novo fôlego após Eduardo Bolsonaro mencionar o Zelle, sistema de transferências dos EUA, em entrevista à TMC News. Questionado sobre se o Pix estava ameaçado, ele afirmou que o Brasil poderia levar o Zelle à mesa de negociação com os americanos.
“Agora, os EUA têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como, por exemplo, o Zelle, que é o Pix dos EUA. Então dá para você ir a uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos. Dá para você sentar, dá para negociar”, declarou Eduardo Bolsonaro.
A declaração foi criticada por quem entendeu que o ex-deputado sugeria flexibilizar o Pix diante da pressão de Washington. No dia seguinte, Eduardo tentou se explicar e afirmou que citou o Zelle para argumentar aos EUA que não haveria problema no Pix, já que os americanos também têm plataformas semelhantes.
A fala gerou incômodo dentro do próprio PL. Uma pessoa da cúpula do partido disse ao Estadão que a declaração foi um “desastre”. Outra pessoa ligada à campanha avaliou que o comentário “pode atrapalhar muito” se não for bem explicado.
Flávio Bolsonaro já vinha tentando se defender do tarifaço anunciado poucos dias após seu encontro com Trump na Casa Branca. Depois da fala do irmão, o senador passou a defender publicamente o Pix e afirmou que o sistema “é do Brasil” e “é do Bolsonaro”, por ter sido implementado durante o governo Jair Bolsonaro.
Com informações de Diário do Centro do Mundo.