Praticar musculação de forma consistente, entre 90 minutos e duas horas por semana, pode reduzir significativamente o risco de morte precoce, segundo uma nova pesquisa publicada no British Journal of Sports Medicine.
O estudo analisou dados de três pesquisas de longa duração que envolveram 147.374 homens e mulheres com mais de 30 anos. Os resultados indicam que aqueles que mantinham uma rotina regular de treino de força tiveram redução de 13% no risco de morte prematura por qualquer causa.
Em relação a doenças específicas, o risco de morte por doença cardiovascular — como ataque cardíaco ou derrame — foi 19% menor entre os praticantes de musculação. Já para doenças neurológicas, como demência, a redução foi ainda mais expressiva: 27%.
Os pesquisadores observaram que os menores riscos foram registrados entre pessoas que combinavam níveis elevados de exercício aeróbico e treino de força. Entre os mais ativos, que realizavam muitas horas de exercícios aeróbicos por semana, o risco de morte precoce por qualquer causa caiu em até 58%.
No entanto, o estudo também apontou que fazer mais de duas horas de musculação por semana não trouxe benefícios adicionais significativos.
Especialistas afirmam que a pesquisa reforça as evidências de que o treino de força pode ajudar a prevenir ou adiar problemas de saúde, aliviando a pressão sobre serviços de saúde sobrecarregados.
Kate Hogarth, de 28 anos, é uma das pessoas que já adotam a musculação como parte da rotina. Ela diz que o treino com pesos melhora sua autoestima no presente e também traz benefícios de longo prazo. “Quero ser independente mais tarde na vida. Existem muitos estudos que mostram todos os benefícios do treino de força, para a saúde cardiovascular, músculos, ossos e saúde mental”, afirma.
Bev Wilson, personal trainer na cidade inglesa de Harrogate, relata que observa melhorias em seus clientes com a prática. “Quando treino clientes, especialmente mulheres, percebo que o treino de força realmente ajuda a melhorar, a controlar os níveis de açúcar no sangue, e ajuda na dor nas articulações, ajuda a fortalecer os ossos”, diz. Ela acrescenta que também há ganhos na saúde cerebral: “Elas percebem melhorias na função cognitiva. Conseguem se concentrar mais no trabalho e a memória melhora.”
Os benefícios do exercício aeróbico — como corrida, ciclismo ou natação — já são bem conhecidos. O sistema britânico de saúde (NHS) recomenda a atividade aeróbica regular para reduzir o risco de doenças cardíacas, derrames e diabetes tipo 2, além de reduzir o estresse e aumentar a autoestima. O novo estudo, porém, esclarece o papel específico da musculação na redução do risco de morte.
Com informações de Folha — Equilíbrio e Saúde.