Começou nesta quarta-feira (10) e segue até domingo (14) o 3º Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas, em Brasília (DF). Promovido pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), o evento reúne mais de 500 lideranças de 24 estados brasileiros e delegações de outros países. A programação celebra os 30 anos da entidade e tem como eixos centrais as mudanças climáticas, a defesa dos territórios e a proteção de lideranças comunitárias.
Contexto e desafios
As participantes enfrentam desafios que vão da violência nos territórios aos impactos ambientais, enquanto mantêm atividades produtivas, cuidados comunitários e preservação de saberes ancestrais. Segundo Sandra Braga, coordenadora executiva da Conaq, “é essencial levarmos aos territórios a mensagem de que a gente continua em marcha, na luta pela defesa dos nossos direitos, dos direitos territoriais, ancestrais e, sobretudo, dos direitos da mulher”.
Lançamentos e debates
Um dos momentos centrais será o lançamento do Plano Emergencial para Mulheres Ameaçadas em seus Territórios, iniciativa construída a partir da escuta de lideranças quilombolas para oferecer proteção, acolhimento e fortalecimento a mulheres sob ameaça por atuarem na defesa de seus territórios. No segundo dia, ocorre o lançamento da publicação Vozes Quilombolas: mulheres em defesa do clima, que reúne reflexões sobre os efeitos das transformações ambientais nos biomas onde vivem.
Saberes e cultura
A programação inclui a Feira de Saberes Tradicionais, com agricultoras, artesãs, raizeiras, benzedeiras e parteiras, além de exposições fotográficas, filmes, apresentações culturais e desfile de moda afro-quilombola. Para Rosalina dos Santos, coordenadora nacional da Conaq pelo Piauí, o encontro é um momento de celebração: “A gente tem muito o que celebrar nesses 30 anos como mulheres quilombolas. Será um grande intercâmbio entre mulheres de todos os biomas brasileiros e também de outros países”.
Defesa dos territórios
Selma Dealdina Mbaye, articuladora política da Conaq, relaciona a luta pela titulação dos territórios à proteção da vida e da memória: “Lutamos pela titulação dos nossos territórios porque precisamos proteger nossos corpos e nossa história”. O evento busca dar continuidade às pautas históricas do movimento, como a defesa dos territórios e o direito de existir nos quilombos.
Com informações de Brasil de Fato — leia a matéria original.