Um artigo de opinião publicado no Brasil de Fato, assinado pelo advogado socioambiental e diretor executivo do Instituto de Direitos Humanos (IDhES), argumenta que a humanidade vive uma mudança de era, na qual os modelos tradicionais de pensamento não conseguem mais explicar as transformações em curso. O autor, que também é professor de pós-graduação e consultor, aponta que cientistas caracterizam o período como Antropoceno, uma nova era geológica em que a humanidade se tornou a principal força da natureza a impactar ecossistemas e o clima.
Segundo o texto, a revolução tecnológica alterou o capitalismo, com algoritmos mediando produção, circulação e consumo, e o capital digital financeiro concentrando poder em grandes empresas de tecnologia. O autor cita o economista Márcio Pochmann para afirmar que o novo capitalismo neocolonialista digital exclui a maioria da população mundial, apesar dos avanços tecnológicos. Como exemplo, menciona que em 2024 a produção global de alimentos foi suficiente para mais de 11 bilhões de pessoas, mas, de acordo com o Índice Global da Fome da FAO/ONU, mais de 500 milhões de pessoas na Ásia, 300 milhões na África e 100 milhões na América viveram em insegurança alimentar severa.

O artigo destaca que as crises econômicas, sociais, políticas e ambientais são profundas e interligadas, criando terreno fértil para projetos fascistas e autoritários. No entanto, o autor defende que “as utopias é que movem o mundo” e que “um outro mundo é possível”, como afirmado desde a primeira edição do Fórum Social Mundial em Porto Alegre, em 2001. Para ele, o capitalismo foi inventado e pode ser desinventado, sendo uma imposição da realidade a superação do sistema, que leva à extinção.
O texto critica a postura omissa do campo progressista na defesa de seus valores e princípios, enquanto a extrema direita se apresenta de forma clara. O autor afirma que a classe trabalhadora já demonstrou capacidade de luta e resistência, citando povos originários, africanos e trabalhadores do campo e da cidade. Ele defende que a sociedade pós-capitalista já está sendo gerada, com exemplos como o Sistema Único de Saúde (SUS), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a economia popular e solidária, as cooperativas de reciclagem, as energias renováveis e as práticas de educação popular e antirracistas.
O artigo conclui que, para cada problema criado pelo capitalismo, a classe trabalhadora tem mais de uma solução, e que é preciso colocar as utopias em movimento para promover uma transição pós-capitalista urgente. A publicação ressalta que o texto é um artigo de opinião e não representa necessariamente a linha editorial do Brasil de Fato.
Com informações de Brasil de Fato — leia a matéria original.