O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realiza, durante a Semana do Meio Ambiente, a Jornada Nacional em Defesa da Natureza e seus Povos. O dia "D" de mobilização ocorreu nesta sexta-feira (5), no Dia Mundial do Meio Ambiente, com atividades previstas até domingo (7).

Em cinco dias de ações, cerca de 10 mil sem-terra participaram de plantio, semeadura, formações, ocupações e atos em 15 estados: Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Bahia, Alagoas, Paraíba, Piauí, Maranhão e Rondônia.

Segundo Margarida da Silva, da Coordenação Nacional do MST, a jornada tem o papel de "anunciar a Reforma Agrária Popular como alternativa, defendendo nossa biodiversidade e os nossos povos ao mesmo tempo em que denuncia o modelo destruidor e os responsáveis pela crise climática."

Com o lema "Combater o agronegócio é cuidar da natureza!", os militantes realizaram atividades de cuidado com a natureza e denunciaram os atores e financiadores da destruição ambiental. As denúncias se voltaram aos crimes ambientais do "agro-hidro-minero-negócio", que representa a fusão de grandes interesses econômicos do capitalismo no campo, que exploram os bens comuns da natureza em larga escala no Brasil.

Em contraponto, o MST apresentou a Reforma Agrária Popular como solução para o avanço dos cuidados com o meio ambiente. Camilo Augusto, da Coordenação Nacional do Plano Plantar Árvores e Produzir Alimentos Saudáveis do MST, explicou que "milhares de famílias sem-terra, junto com diversas articulações da sociedade, escolas, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, se mobilizaram para semear a vida em um momento em que o agronegócio aprova leis que aumentam a destruição ambiental."

Durante a jornada, mais de 5 mil mudas foram plantadas e 30 toneladas de sementes foram semeadas.

Ocupação no Distrito Federal

Na manhã desta sexta-feira (5), cerca de 300 famílias do MST do Distrito Federal e Entorno ocuparam a Gleba 223 da Fazenda Salvia, em Planaltina-DF, área com mais de 10 mil hectares. Como símbolo do compromisso com a preservação ambiental e a recuperação do Cerrado, as famílias plantarão mais de 200 mudas de espécies nativas no território ocupado. A Gleba 223, assim como outras áreas da Fazenda Salvia, tem sido alvo de processos de grilagem e ocupações irregulares ligadas ao avanço do agronegócio e da especulação imobiliária, provocando impactos socioambientais como desmatamento, uso intensivo de agrotóxicos e descaracterização da vocação agrária da região.

Semeadura aérea em terra indígena e comunidade camponesa

A maior Terra Indígena (TI) do Paraná, a TI Rio das Cobras, em Nova Laranjeiras, recebeu a abertura da 4ª Jornada da Natureza na segunda-feira (1º). As comunidades semearam 2 toneladas de sementes de palmeira Juçara, espécie-chave no bioma Mata Atlântica ameaçada de extinção. Elizandra Fygsanh Freitas, professora de história e integrante da coordenação da TI, participou da semeadura de dentro de um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal, que apoiou a ação. "Foi uma sensação única. Lá de cima a gente consegue perceber o quanto ainda preservamos da nossa natureza. Quando olhamos as áreas vizinhas, vemos que muitas delas foram praticamente desmatadas", relatou a indígena da etnia Kaingang.

Sete meses após a passagem de três tornados no Paraná, a comunidade camponesa Herdeiros da Terra de Primeiro de Maio, em Rio Bonito do Iguaçu, também recebeu a semeadura aérea de 4 toneladas de sementes de palmeira juçara.

Lançamento do robô AçaíBot

Um robô desenvolvido para facilitar a colheita da palmeira juçara, chamado AçaíBot, foi lançado na terça-feira (2) na comunidade Dom Tomás Balduíno, em Quedas do Iguaçu (PR). A apresentação da tecnologia foi um dos destaques do segundo dia da programação, que promoveu a semeadura aérea de 10 toneladas de sementes de juçara e atividades de educação ambiental com crianças da Escola Itinerante Wagner Lopes. No estado, a jornada segue até o dia 6, com plantio e semeadura de 30 toneladas de sementes da palmeira Juçara.

Nelson Franzini, representante da Empresa Kaatech, com sede em Belém do Pará, inventores do AçaíBot, afirmou que o robô é uma tecnologia 100% brasileira, desenvolvida primeiro para o açaí da Amazônia e adaptado para o açaí da Mata Atlântica. A máquina é feita de plástico injetável e fibra de carbono, mesmo material utilizado na construção de aviões. Para fazer a coleta, o robô é acionado por tração e sobe o caule da palmeira, corta os cachos e desce com o açaí no reservatório. A tecnologia suporta até 80 kg de açaí e consegue subir caules de 50 a 150 cm de diâmetro. "A tecnologia foi desenvolvida para aumentar a produtividade e melhorar a dignidade de vida das famílias produtoras. Com esse equipamento, você elimina o risco de acidente, que hoje é um dos principais desafios da colheita do açaí", explicou Franzini.

Com informações de Brasil de Fato.