O Ministério Público Eleitoral enviou na 2ª feira (22.jun.2026) ao Tribunal Superior Eleitoral parecer contrário à decisão individual do ministro do Supremo Tribunal Federal Nunes Marques, presidente do TSE, que suspendeu a divulgação de uma pesquisa de intenção de voto para presidente da República feita pela AtlasIntel.

O levantamento foi realizado depois da divulgação de entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O objetivo era medir o impacto da notícia na intenção de voto dos eleitores.

O parecer foi enviado em recurso do PL contra a decisão do ministro.

Na manifestação, o vice-procurador Alexandre Espinosa disse que a interferência da Justiça Eleitoral em pesquisas de intenção de voto deve ser excepcional e ser realizada só quando houver intervenção indevida na livre formação da opinião dos entrevistados.

Para o vice-procurador, não houve irregularidades nas perguntas feitas aos entrevistados. Espinosa considera natural que institutos de pesquisa questionem eleitores sobre “temas políticos sensíveis”.

Ele declarou: “A intervenção da Justiça Eleitoral nas pesquisas eleitorais somente deve ser admitida em situações excepcionais, nas quais fique sobejamente demonstrada uma quebra objetiva do dever de equidistância e imparcialidade no levantamento científico realizado, com evidências concretas que permitam concluir uma indução que represente significativa interferência indevida na livre formação da opinião dos entrevistados”.

Em 8 de junho de 2026, o presidente do TSE suspendeu a divulgação do levantamento por entender que a pesquisa induziu as respostas dos eleitores.

A pesquisa foi divulgada em 19 de maio e indicou queda de 5 pontos na intenção de voto em Flávio Bolsonaro depois da divulgação da conversa do senador com Vorcaro.

O ministro atendeu a um pedido de suspensão feito pelo PL. O partido questionou perguntas relacionadas ao caso Master e disse que também foi apresentado aos eleitores o áudio em que Flávio pede dinheiro a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Com a decisão individual de Nunes Marques, a pesquisa não pode permanecer publicada nos canais oficiais da empresa, ser republicada ou impulsionada nas redes sociais.

Em 9 de junho, o plenário do TSE começou a decidir se a liminar do ministro será referendada, mas um pedido de vista da ministra Estela Aranha interrompeu o julgamento.

A data da retomada do julgamento ainda não foi definida.


Este texto foi publicado originalmente pela Agência Brasil, em 23 de junho de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.


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