O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou o jurista Alysson Mascaro, ex-professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), pelos crimes de assédio sexual, importunação sexual e estupro de vulnerável. A denúncia foi apresentada na última quarta-feira, 3 de junho, segundo informou o órgão.
De acordo com a denúncia do MP, Mascaro, “prevalecendo-se de sua posição hierárquica e ascendência sobre seus alunos, orientandos e integrantes do grupo de estudos que encabeçava junto à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, passou a praticar contra estes, crimes de assédio sexual, importunação sexual e estupro”.
Caberá ao Judiciário analisar a denúncia e decidir pelo seu recebimento ou não. Caso seja aceita, será aberta uma ação penal e Mascaro se tornará réu.
Antecedentes
Em dezembro de 2024, o Intercept Brasil publicou relatos de dez alunos e ex-alunos de Mascaro acusando-o de assédio e abuso sexual. Duas semanas depois, a reportagem trouxe a história de mais nove homens que relataram acontecimentos semelhantes.
Mascaro foi demitido da USP em dezembro de 2025, após um processo administrativo disciplinar (PAD) instaurado em fevereiro do mesmo ano para apurar as acusações.
Em paralelo ao processo na USP, em junho de 2025, a Polícia Civil de São Paulo abriu um inquérito a pedido do Ministério Público. Após diligências, a polícia devolveu o inquérito ao MP. No início de setembro, o MP solicitou acesso ao PAD da USP e realizou oitivas com as vítimas identificadas. A denúncia oferecida na semana passada resulta desse processo.
Medida protetiva
Além da denúncia, o MP solicitou a aplicação de medidas protetivas em favor de uma das vítimas, proibindo Mascaro ou pessoas ligadas a ele de se aproximar ou fazer contato virtual. A promotoria entendeu que houve indícios de intimidação e perseguição.
Segundo o MP, há “evidências” de que Mascaro, “através de contatos com pessoas influentes na mídia”, “passou a divulgar pela imprensa dados sigilosos” sobre as investigações e “até mesmo informações pessoais”. Na avaliação do órgão, isso “pode servir como fator de constrangimento para que as vítimas e testemunhas temam a exposição e o detalhamento das informações que possuem sobre os fatos”.
O Intercept Brasil procurou Alysson Mascaro para comentar a denúncia, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem. O espaço permanece aberto.