No Dia Mundial da Segurança dos Alimentos, celebrado em 7 de junho, a discussão sobre o acesso a alimentos seguros e nutritivos ganha destaque. Em Minas Gerais, movimentos populares como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD) e o Movimento Brasil Popular (MBP) organizam cozinhas solidárias para garantir refeições a populações vulneráveis.
Segundo Gabriela dos Anjos, do MST e coordenadora das cozinhas do Mãos Solidárias, e Lulane Bortoli, também coordenadora do projeto, segurança alimentar significa garantir alimentação adequada, produzida de forma saudável, respeitando o meio ambiente e a cultura alimentar. Iasmim Chequer, do MTD, destaca que as cozinhas fazem contraponto à realidade alimentar das periferias, onde predomina o consumo de alimentos industrializados.
Em Minas Gerais, a Política Estadual de Apoio às Cozinhas Solidárias foi instituída pela Lei 24.976, de autoria da deputada Bella Gonçalves (PT). A iniciativa se inspira em programa nacional de 2023, que hoje mantém cerca de 2 mil cozinhas em funcionamento. Apesar dos avanços, Gisele Maia, do MBP, considera as políticas insuficientes diante da dimensão do problema.
Jairo dos Santos, do MTST, afirma que as cozinhas atendem mais de 20 mil famílias diariamente no Brasil. Ele relembra que a maioria surgiu na pandemia, quando mulheres de ocupações perceberam que cestas básicas não bastavam sem gás para cozinhar. As cozinhas são definidas por lei como tecnologia social de combate à fome, ofertando refeições gratuitas a grupos em vulnerabilidade.
Em Belo Horizonte, a Cozinha Maria Brás, do Mãos Solidárias, atende cerca de 150 catadores de recicláveis três vezes por semana. Outra unidade no Barreiro beneficiará alunos de cursinho popular. O MTST mantém 13 cozinhas em Minas, incluindo na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Montes Claros, São Francisco, Diamantina e Uberlândia. Já a Cozinha Popular Cantinho da Vila, do MTD em Montes Claros, funciona como restaurante aos sábados e gera renda para mulheres.
Os movimentos apontam desafios como falta de recursos e necessidade de remuneração dos trabalhadores, que atuam majoritariamente como voluntários. Para Santos, a fome é uma contradição em um país grande produtor de alimentos, sendo necessária uma reforma agrária efetiva. As integrantes do Mãos Solidárias reforçam que a solidariedade não substitui o Estado: o combate à fome deve ser política pública permanente.
Com informações de Brasil de Fato — leia a matéria original.