Enquanto Mohamed Salah é o grande nome do futebol egípcio no cenário mundial, Mostafa Mohamed ocupa um espaço distinto. O atacante do Nantes construiu a carreira como um centroavante de trabalho, que não decide jogos sozinho, mas dá estrutura à seleção egípcia.
A diferença entre os dois não é apenas técnica ou de status. Salah tornou-se um símbolo global, com carreira consolidada na elite europeia. Mostafa, por outro lado, representa um caminho mais comum: formação local, afirmação gradual e adaptação a contextos competitivos sem ser protagonista absoluto.
Essa ligação com a realidade egípcia ficou evidente em um episódio fora de campo em 2022. Durante a semifinal da Copa Africana de Nações, em Camarões, o nome do atacante apareceu em uma delegacia de Abu El Nomros, em Gizé, por suspeita de fraude acadêmica. Um amigo de infância foi flagrado fazendo provas universitárias em seu lugar no Instituto Superior de Gestão e Tecnologia de Gizé. Segundo a investigação, o substituto já havia realizado três exames com sucesso antes de ser descoberto na quarta avaliação, após um fiscal desconfiar da diferença física e exigir identificação.
Ao prestar depoimento, o amigo justificou a atitude: “Ele é meu amigo e está representando o país. Eu não queria que ele perdesse o ano letivo enquanto luta pela nossa bandeira”. O caso expõe que Mostafa Mohamed ainda estava inserido em uma rotina que mistura futebol profissional com exigências acadêmicas locais.
Da formação local à Europa sem atalhos
Revelado pelo Zamalek, Mostafa Mohamed se destacou pela imposição física. Seu jogo sempre esteve ligado ao contato, à proteção de bola e à presença dentro da área. O apelido “Anaconda”, popular no Egito, refere-se a essa característica: um jogador que usa o corpo para envolver o marcador.
A ida para o Galatasaray, em 2021, foi o primeiro grande teste. Mostafa começou bem, com gol na estreia, mas o desempenho foi irregular. Ele terminou a passagem com 17 gols em 58 jogos, mostrando capacidade de competir sob pressão, sem se firmar como protagonista.
Em 2022, chegou ao Nantes. Na Ligue 1, encontrou um contexto mais compatível com suas características. O clube exerceu a opção de compra em 2023 por cerca de 6 milhões de euros. No Nantes, sua função é clara: atua como referência, segura a bola e oferece uma alternativa direta.
O suporte físico no elenco do Egito
Na seleção egípcia, Mostafa Mohamed consolidou-se como uma peça de composição tática. Sob o comando de Hossam Hassan, ele alterna entre titular e reserva, dependendo da necessidade de combatividade física. Sua presença oferece ao treinador uma alternativa de jogo direto que outros atacantes egípcios não entregam.
Para a Copa do Mundo, a expectativa é de um coadjuvante funcional. Ele possui experiência suficiente na Ligue 1 para não se intimidar com o nível internacional, mas mantém um perfil de operário que aceita a rotação. Sua função será dar opção ao ataque, seja iniciando jogos para disputar fisicamente com zagueiros, seja entrando depois para manter esse confronto.
Com informações de Trivela.