A morte da autora e diretora franco-iraniana Marjane Satrapi, aos 56 anos, reacendeu o debate sobre a possibilidade de morrer de tristeza. Conhecida pela série de graphic novels Persépolis, Satrapi faleceu, e familiares atribuíram a causa à tristeza pela perda do marido, Mattias Ripa, ocorrida em abril de 2025.

Em comunicado enviado à agência AFP, a família afirmou: “Marjane Satrapi morreu de tristeza pouco mais de um ano após a morte de Mattias Ripa, seu marido e o amor de sua vida”. Recentemente, a autora havia publicado mensagens no Instagram dizendo: “Perdi o amor da minha vida”.

O que diz a ciência

Um estudo publicado em 2014 na revista JAMA Internal Medicine constatou que, no mês seguinte à morte de um ente querido, o risco de infarto ou AVC é o dobro em comparação com pessoas que não estão em luto. Entre 30.447 enlutados, 50 (0,16%) sofreram essas condições, contra 0,08% no grupo sem luto.

Sunil Shah, professor da Universidade de Londres e um dos autores do estudo, disse à BBC: “Costumamos usar a expressão ‘coração partido’ para nos referir à dor de perder alguém amado. Nosso estudo mostra que o luto pode ter um efeito direto na saúde do coração.”

Síndrome do coração partido

A condição conhecida como cardiomiopatia induzida por estresse, ou síndrome do coração partido, ocorre quando o músculo cardíaco enfraquece subitamente. Segundo a British Heart Foundation, o ventrículo esquerdo muda de forma, assumindo uma aparência semelhante a uma armadilha de polvo japonesa (Takotsubo).

Cerca de três quartos dos diagnosticados passaram por estresse emocional ou físico significativo. A liberação repentina de hormônios, como a adrenalina, pode atordoar o músculo cardíaco. Diferente do infarto, não há obstrução das artérias coronárias na maioria dos casos.

A maioria dos pacientes se recupera, mas em idosos ou pessoas com problemas cardíacos preexistentes, a condição pode ser fatal.

Outros estudos

Uma pesquisa de 2006 no New England Journal of Medicine mostrou maior risco de morte após a internação de um dos cônjuges. Estudos de 2011 sugerem que as chances de morte do parceiro sobrevivente aumentam nos seis meses seguintes à perda.

Especialistas apontam que um casamento com apoio mútuo atua como alívio contra o estresse, e os parceiros incentivam hábitos saudáveis, como tomar medicamentos e evitar excessos.

Com informações de Folha — Equilíbrio e Saúde.